Economia

Especialistas avaliam o grau e as consequências da recessão


Para alguns economistas, a queda do índice de atividade econômica pode levar o Banco Central monetária a reduzir o ritmo de aperto dos juros ainda neste mês


  Por Estadão Conteúdo 18 de Julho de 2015 às 10:14

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


A economia brasileira ficou estagnada em maio, de acordo com o índice de atividade do Banco Central (IBC-Br) divulgado sexta-feira (17/07). De acordo com o BC, o índice, que funciona como uma prévia do PIB, subiu 0,03% em maio em relação a abril, mas recuou 4,75% na comparação com o mesmo mês de 2014.

O resultado confirmou a expectativa de analistas de mercado de que o país entrou em recessão no segundo trimestre.

Para o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Lima Gonçalves, a comparação em relação a 2014 não deixa dúvida de que a situação está ruim.

“O histórico de coincidências do IBC-Br com o PIB sugere essa queda de quase 2% no segundo trimestre. Já era sabido que seria pior do que o primeiro trimestre, mas a questão é o tamanho da queda”, avaliou. Para ele, o PIB do segundo trimestre pode ter uma retração de quase 2%.

Já o economista-chefe da INVX Global Partners, Eduardo Velho, projeta uma baixa de 2,2% para o PIB deste ano após conhecimento do IBC-Br. Segundo ele, o dado de junho deverá vir “muito ruim”, o que deve consolidar maior rapidez nas revisões dos analistas sobre a queda mais acentuada da economia.

Para o Ministério da Fazenda, o PIB terá retração de 1,5% em 2015. O BC projeta uma baixa de 1,1% para o período. Pelos cálculos da economista do Banco ABC Brasil, Natalia Cotarelli, o IBC-Br reflete o atual cenário econômico ruim e indica uma queda do PIB entre 1,5% e 2% no segundo trimestre. Os números de junho tendem a reforçar esta estimava, segundo ela, confirmando que esse deve ser o pior trimestre do ano.

JUROS EM DEBATE

O resultado do IBC-Br ampliou as discussões entre os analistas de mercado sobre qual será a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, em relação à Selic na reunião do dia 29. Atualmente, a taxa básica de juros está em 13 75% ao ano e o consenso é o de que o colegiado promoverá uma nova elevação.

Depois de saber que o IPCA de junho não foi tão alto quanto o imaginado e que a atividade econômica está fraca, alguns profissionais já cogitam a hipótese de o BC reduzir o ritmo de alta de 0,50 ponto porcentual para 0,25 ponto.

As discussões voltam a ser sobre se o Banco Central está mirando apenas a inflação em suas decisões - o que corrobora mais uma elevação de meio ponto porcentual este mês -ou se o enfraquecimento da economia começa a preocupar a ponto de o BC diminuir a intensidade da alta para 0,25 ponto porcentual.

Para Gonçalves, do Banco Fator, os focos da autoridade monetária são a inflação e a retomada de sua credibilidade. A projeção atual do economista é um aumento de 0,50 ponto porcentual da Selic. Apesar de ainda não ter batido o martelo, o mais provável é que Gonçalves mude sua estimativa para 0,25 ponto até o dia da decisão.

PIORA DO PIB

Para Antonio Madeira, economista da MCM Consultores, a queda do IBC-Br na comparação com maio do ano passado reforça o quadro de recessão da economia e pode levar o Banco Central monetária a reduzir o ritmo de aperto dos juros este mês.

“O BC vai atualizar seus modelos e provavelmente vai se deparar com um cenário de PIB pior, mostrando aumento da ociosidade da economia”, disse. O economista está revendo sua previsão de aumento de 0,50 ponto e disse que tudo caminha para uma alta menor.

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