Economia

Entenda o círculo vicioso do setor de serviços


A fraqueza dos serviços decorre principalmente da lenta recuperação do consumo das famílias, aponta o Boletim de Conjuntura da ACSP


  Por Instituto Gastão Vidigal 29 de Abril de 2018 às 10:15

  | Da equipe de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


Enquanto a produção industrial e o varejo continuam apontando tendênciua de retomada do crescimento, ainda que mais lenta do que o esperado, os serviços seguem decepcionando, ao registrarem queda de 1,8% em seu volume comercializado no primeiro bimestre do ano, de acordo com os dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada pelo IBGE.

Esse resultado contribui para arrefecer as expectativas de recuperação da economia brasileira no presente ano, já que este determina quase dois terços do produto interno bruto (PIB) do País, pelo lado da produção.

Pela quarta semana consecutiva, os analistas de mercado, consultados pela Pesquisa FOCUS do Banco Central, reviram para baixo a projeção de crescimento do PIB para 2018.

Os resultados da PMS de fevereiro mostram que, na comparação com o mês anterior, livre de efeitos sazonais, os destaques negativos ficaram por conta dos segmentos serviços prestados às famílias e serviços de informação e comunicação.

No primeiro caso, a principal perda decorreu dos serviços de alojamento e alimentação, pois, embora o ramo de hotelaria tenha mostrado resultados positivos, estes não foram suficientes para compensar as perdas no volume movimentado por bares, lanchonetes e restaurantes.

Para o segundo segmento, a contração foi puxada pelas telecomunicações, refletindo a difícil situação de grandes empresas de telefonia, que ou estão em recuperação judicial ou estão realizando fusões com empresas de TV a cabo e internet, para garantir sua sobrevivência.

A fraqueza dos serviços decorre principalmente da lenta recuperação do consumo das famílias, pois, apesar da redução da inflação, que tem ajudado a recompor o poder aquisitivo das famílias, e das melhores condições do crédito, o desemprego continua muito elevado e o aumento da informalidade, além de significar menores salários, eleva a insegurança no emprego.

Tudo isso faz com que o consumidor permaneça cauteloso na hora de adquirir serviços, privilegiando aqueles considerados prioritários.

 LEIA NA ÍNTEGRA O BOLETIM DE CONJUNTURA DA ACSP

FOTO: Thinkstock