Economia

Em maio, alimentos elevaram custo de vida em São Paulo


Paralisação dos caminhoneiros influenciou diretamente, e as classes B e C foram as que mais sentiram a alta dos preços, de acordo com a FecomercioSP


  Por Redação DC 27 de Junho de 2018 às 10:24

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


O custo de vida na região metropolitana de São Paulo teve uma ligeira alta de 0,19% no mês de maio, patamar muito próximo ao registrado em abril, de 0,17%.

No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, verificou-se uma elevação de 0,68%. Entre junho de 2017 e maio de 2018, o avanço foi de 3,26%.

No mesmo período do ano passado, o custo de vida sinalizava elevação de 0,34%, acumulando 3,71% nos últimos 12 meses e 1,23% nos cinco meses iniciais do ano.

Os dados são da pesquisa Custo de Vida por Classe Social (CVCS), realizada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

Entre as nove categorias que compõem o indicador, duas registraram variação negativa em maio: artigos do lar (-1,47%) e transportes (-0,19%), enquanto duas ficaram praticamente estáveis: educação (0,01%) e comunicação (0,00%).

Por outro lado, os preços do grupo alimentação e bebidas subiram 0,72% e exerceram a maior pressão de alta no custo de vida.

De acordo com a assessoria econômica da FecomercioSP, além dos aspectos sazonais que tendem a impactar os preços nessa época, como a entressafra, a variação foi influenciada pela paralisação dos caminhoneiros, ocorrida entre o fim de maio e o começo de junho, uma vez que prejudicou o abastecimento de muitos pontos comerciais.

A segunda pressão mais contundente para impulsionar o CVCS, em maio, veio do grupo habitação, com aumento de 0,39%. Os preços dos itens dos grupos saúde e vestuário encerraram o quinto mês do ano com variações de 0,30% e 0,69%, respectivamente.

Ainda segundo a pesquisa, as classes B e C foram as mais afetadas pelas altas nos preços no período, encerrando maio com alta de 0,23% e 0,21%, respectivamente. As classes A e E, por outro lado, foram as que menos sentiram as elevações, ambas com alta de 0,06%.

IPV

O Índice de Preços no Varejo (IPV) passou de 0,30% em abril para 0,46% em maio, acumulando variação de 2,55% nos últimos 12 meses e 0,93% em 2018. Em 2017, considerando o mesmo mês de referência, o IPV apontava estabilidade, acumulando 2,26% em 12 meses.

Apenas dois dos oito grupos que compõem o indicador apresentaram recuo em seus preços médios: saúde e cuidados pessoais (-0,06%) e artigos de residência (-1,65%).Por outro lado, transportes exerceu a maior contribuição de alta para o resultado geral do IPV, com elevação de 1,25% e destaques para óleo diesel (8,38%) e gasolina (3,24%).

Em seguida, apareceu o grupo de alimentação e bebidas, com variação positiva de 0,81%, sendo as maiores altas apuradas em batata-inglesa (15,55%), cebola (16,81%), alface (16,38%), melancia (13,07%) e brócolis (8,36%).

O corte do IPV por faixas de renda indica que as classes D e C encerraram o mês com a maior variação entre todos os demais estratos, com altas de 0,67% e 0,54%, respectivamente. Na contramão, as classes A e B sentiram menos as oscilações positivas nos preços, com variações de 0,20% e 0,32%, consecutivamente.

IPS

O Índice de Preços de Serviços (IPS) recuou 0,10% em maio ante a estabilidade observada em abril (0,03%). No período compreendido entre janeiro e maio de 2018, notou-se elevação de 0,41%, e nos últimos 12, meses a alta foi de 4,01%. No mesmo período do ano passado, o IPV acusava alta mensal de 0,70%, acumulando 5,25% em 12 meses.

Dos nove grupos pesquisados, apenas o de transportes encerrou maio com variação negativa (-2,74%), determinada pela queda de preços da passagem aérea (-28,39%). As maiores altas foram detectadas em serviços de alimentação e bebidas (0,59%), com destaque para cerveja (2,38%), refrigerante e água mineral (1,56%) e refeição (1,03%); e o de habitação (0,47%), por causa do aumento de 2,19% em energia elétrica.

No recorte por renda, as classes A e C foram as menos favorecidas pela queda dos preços dos serviços, com variações de -0,06% e -0,15%, enquanto as classes E e D registraram queda de 0,53% e 0,63%, consecutivamente. O IPS da classe B exibiu alta de 0,15%.

De acordo com a assessoria econômica da FecomercioSP, o custo de vida na região metropolitana de São Paulo sofreu uma pressão de alta em maio decorrente da variação dos preços dos produtos ligados aos grupos alimentação e bebidas e a transportes, além de uma série de reajustes nos componentes energéticos e o clima adverso que afetou a produção de alguns produtos in natura – como sazonalmente ocorre, a paralisação dos caminhoneiros e o consequente desabastecimento impactaram os preços.

METODOLOGIA

O Custo de Vida por Classe Social (CVCS), formado pelo Índice de Preços de Serviços (IPS) e pelo Índice de Preços do Varejo (IPV), utiliza informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE e contempla as cinco faixas de renda familiar (A, B, C, D e E) para avaliar os pesos e os efeitos da alta de preços na região metropolitana de São Paulo em 247 itens de consumo. A estrutura de ponderação é fixa e baseada na participação dos itens de consumo obtida pela POF de 2008/2009 para cada grupo de renda e para a média geral. O IPS avalia 66 itens de serviços e o IPV, 181 produtos de consumo.

As faixas de renda variam de acordo com os ganhos familiares: até R$ 976,58 (E); de R$ 976,59 a R$ 1.464,87 (D); de R$ 1.464,88 a R$ 7.324,33 (C); de R$ 7.324,34 a R$ 12.207,23 (B); e acima de R$ 12.207,23 (A). Esses valores foram atualizados pelo IPCA de janeiro de 2012. Para cada uma das cinco faixas de renda acompanhadas, os indicadores de preços resultam da soma das variações de preço de cada item, ponderadas de acordo com a participação desses produtos e serviços sobre o orçamento familiar.