Economia

Em agosto, auxílio emergencial foi a única renda em 4 milhões de lares


A fatia de domicílios exclusivamente dependentes do auxílio em agosto foi de 6,2% em todo o País, de acordo com o Ipea


  Por Estadão Conteúdo 29 de Setembro de 2020 às 11:11

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Cerca de 4,25 milhões de domicílios brasileiros sobreviveram no mês de agosto apenas com a renda do auxílio emergencial de R$ 600, segundo um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A fatia de domicílios exclusivamente dependentes do auxílio em agosto foi de 6,2% em todo o País.

Entre as regiões, a proporção de lares que sobrevivem apenas com a ajuda governamental foi maior no Nordeste, ultrapassando 13% das famílias no Piauí e na Bahia.

Os trabalhadores ocupados ainda recebiam menos que o habitual no mês de agosto, o equivalente a 89,4% dos rendimentos habituais. No entanto, o pagamento do auxílio mais do que compensou essa perda, segundo cálculos do Ipea, que têm como base os microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Covid-19 (Pnad Covid), apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Considerando o recebimento do auxílio, a renda domiciliar média no País aumentou em mais de 3% em relação ao que seria recebido apenas com os rendimentos habituais do trabalho. O impacto foi maior entre os domicílios de renda muito baixa, que tiveram renda 32% maior que o habitual, devido ao pagamento do auxílio.

O Ipea aponta que, caso todos os domicílios contemplados pelo socorro em agosto tivessem recebido apenas a metade do valor pago - o que ocorrerá com a redução a de R$ 600 para R$ 300 no valor do auxílio a partir de setembro -, a renda domiciliar média teria sido 5,3% menor do que o recebido no mês.

Entre as famílias de renda muito baixa, a renda cairia quase 20%, embora ainda fosse 6% maior que o habitual. Segundo o estudo, a renda do auxílio superou em 41% a perda da massa salarial do trabalho. A massa salarial efetiva totalizou R$ 172,31 bilhões em agosto, R$ 20,36 bilhões aquém dos R$ 192,67 bilhões habitualmente recebidos.

De acordo com a Pnad Covid-19, o total dos rendimentos provenientes do auxílio emergencial alcançou R$ 28,7 bilhões em agosto, ou seja, cerca de R$ 8,34 bilhões a mais que a renda efetiva perdida pelos trabalhadores no mês.

"O papel do Auxílio Emergencial na compensação da renda perdida em virtude da pandemia foi proporcionalmente maior do que no mês anterior", afirmou o pesquisador Sandro Sacchet, autor do estudo do Ipea, em nota oficial.





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