Economia

Economia saiu da UTI, mas ainda está em recuperação


A afirmação é do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Para ele, um dos “remédios” que ajudarão na recuperação da economia é a Reforma da Previdência


  Por Agência Brasil 05 de Dezembro de 2016 às 12:37

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, comparou hoje (5) a economia brasileira a um paciente que deixou a Unidade de Tratamento Intensivo - UTI.

“[Um paciente que] não está correndo ainda, está num processo de estabilização e retomada”, declarou  durante o 12º Congresso Brasileiro da Construção, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.

Meirelles disse que um dos “remédios” que ajudarão na recuperação da economia é a Reforma da Previdência, que deve ser anunciada hoje pelo presidente Michel Temer.

“A expectativa é que seja bem recebida no Congresso. Ela será debatida pela sociedade, como deve em qualquer país do mundo. Mas ela tem uma meta central. Melhor do que tentar antecipar ou manter uma idade de aposentadoria relativamente jovem, aos 55, 56 ou até 60 anos, é dizer que, mais relevante, crucial, todos tenham certeza de que vão receber a aposentadoria”, disse.

O ministro da Fazenda destacou que as atuais regras de aposentadoria foram feitas há muitas décadas, quando a expectativa de vida era inferior. Hoje à tarde, o presidente Temer e o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, reúnem-se com representantes das seis principais centrais sindicais do país, em Brasília.

IMPOSTOS

O ministro disse, durante o congresso, que ouviu as sugestões apresentadas pelos representantes de empresários, mas que não pretende promover desonerações aos setores e garantiu também que não vai aumentar impostos.

“O governo deve cortar gastos correntes para não só não ter um crescimento da dívida publica, que não pressione os juros e crie incerteza, mas que também não foque suas ações em cortes de curto prazo, o que significa corte de investimento público. É importante que se preserve a capacidade de investir”, declarou.

CRISE

Meirelles reconheceu que a crise econômica começou no final de 2014 e ainda persiste. “A longa duração é porque o combate eficaz só começou em maio de 2016. São dois anos completos de crise e isso afeta o endividamento das companhias, dificultando a retomada do crédito. O mesmo acontece com as famílias”, afirmou.

Como medidas a serem tomadas, o ministro defendeu a redução do tamanho do estado e maior participação do capital privado. E, ainda, os reflexos positivos com a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do limite dos gastos públicos. Segundo Meirelles, se a PEC tivesse sido aprovada em 2006, a despesa primária do governo seria 10%, em vez dos atuais 19,5%. “Seria outro país”, disse.

PROGRAMA DE PROTEÇÃO AO EMPREGO

Durante o evento, o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, disse que o governo dará continuidade ao Programa de Proteção ao Emprego – PPE - visando  garantir 200 mil empregos.

“O PPE passará a ser política pública de proteção ao emprego de estado”, disse. Outra medida do ministério relaciona-se a estudos buscando desburocratizar e facilitar o acesso aos recursos ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), aumentando, assim, os recursos para a habitação.

CARGO AMEAÇADO 

O ministro da Fazenda negou que seu cargo no governo esteja em risco. Perguntando se está sendo "fritado" por aliados, ele afirmou: "Não tenho visto isso."

De acordo com ele, é normal que haja pressão sobre membros do governo e ele já teve uma experiência semelhante quando foi presidente do Banco Central, durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Acho que agora (a pressão) é até um pouco menor", comentou. 

Em meados do ano passado o então ministro da Fazenda, Joaquim Levy, também começou a ser pressionado, à medida que a economia não reagia, mesmo com o forte plano de ajuste fiscal defendido por ele. O ministro, na ocasião, rechaçou os comentários sobre sua possível saída do cargo, mas no fim do ano acabou deixando o governo Dilma Rousseff sendo substituído por Nelson Barbosa.

No domingo, 4, o presidente da República, Michel Temer, disse ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, que Meirelles tem seu "total apoio". O presidente afirmou também que não há nenhuma intenção de se compartilhar o comando da política econômica.

PIB

No evento, Meirelles afirmou que há um consenso de que a economia brasileira crescerá em 2017, mas o que se discute é o ritmo. Apesar dessa fala, alguns analistas já projetam nova recessão no ano que vem. Na pesquisa Focus, a expectativa para o crescimento em 2017 caiu de 0,98% para 0,80%.

Meirelles afirmou que houve uma expectativa muito grande quando Temer assumiu a Presidência da República de que haveria uma melhora na economia, porque as medidas corretas já estavam sendo tomadas.

Entretanto, talvez tenha ocorrido uma avaliação apressada, já que a atual crise é diferente das outras, por ser mais profunda e prolongada, o que afeta a saúde financeira das empresas e torna a retomada da economia mais demorada. "A urgência para tirar o País da crise existe desde o momento em que assumimos", afirmou.

Questionado se o governo vai mesmo lançar um pacote com dez medidas microeconômicas para estimular a economia, Meirelles disse que uma série de ações está sendo estudada, mas ainda estão em elaboração.

Ele voltou a afirmar que, no momento, não há planos de aumentos de impostos e, perguntando se o governo analisa novas isenções tributárias para ajudar alguns setores, ele afirmou que "não pretendemos aumentar o déficit público dando mais desonerações". "Os remédios básicos que resolvem a doença (da economia) já estão começando a funcionar. O Brasil saiu da UTI, mas ainda não está correndo, como todos ansiamos", afirmou.

*Com informações de Estadão Conteúdo 

FOTO:   Valter Campanato/Agência Brasil