Economia

Economia fraca já respinga nas grandes redes


Para Marcelo Pimentel, CEO da Marisa, Black Friday e Natal serão termômetro para os negócios. Elio Silva, diretor executivo da Riachuelo, diz que não haverá grandes avanços em 2022


  Por Fátima Fernandes 19 de Novembro de 2021 às 06:59

  | Jornalista especializada em economia e negócios e editora do site varejoemdia.com


O Magazine Luiza, uma das maiores redes de varejo do país, fez uma provisão de R$ 395 milhões no terceiro trimestre por conta de uma queda de vendas não esperada.

Os estoques no final de setembro eram suficientes para 100 dias de vendas, quando o saudável seria para 70 dias, de acordo com Frederico Trajano, presidente da empresa.

A Via, dona da Casas Bahia e do Ponto, fez uma provisão de quase R$ 2,5 bilhões no mesmo período devido a perdas com ações trabalhistas em razão de grandes demissões.

A rede registrou um prejuízo líquido de R$ 638 milhões no período. O faturamento foi de R$ 7,4 bilhões, 5,9% menor do que no terceiro trimestre de 2020.

As ações de ambas as redes negociadas na bolsa brasileira registram queda superior a 40% neste ano.

Com esses números, é possível afirmar que até para as grandes redes o final de 2021 vai ser no mínimo desafiador, bem diferente do cenário que se previa há cerca três meses.

A alta da inflação e dos juros e a expectativa de que o país também vai ter um ano difícil em 2022 têm levado os empresários a agir com mais cautela, mesmo com o avanço da vacinação.

“É inegável o impacto no bolso do consumidor de todo este cenário, mas estamos otimistas com a volta das pessoas às ruas”, diz Marcelo Pimentel, CEO da Lojas Marisa, com 344 lojas no país.

De acordo com ele, as lojas do Nordeste do Brasil já registram faturamento maior que o de 2019, mas em outras regiões as vendas ainda não deslancharam.

A grande expectativa da rede é com a Black Friday, que acontece na última semana deste mês. A empresa comprou centenas de milhares de peças para vender com descontos de 50%.

Para ajudar nas compras dos clientes, a rede acaba de lançar um plano de financiamento de até cinco vezes sem juros, que deve se estender até o Natal.

“A Black Friday vai ser um termômetro de vendas não só em razão da situação econômica, mas também pelo fato de as pessoas ficarem muito tempo sem sair de casa”, diz ele.

A Marisa colhe os frutos neste momento, diz ele, por ter colocado em prática desde 2020 um programa de redução de 30% dos estoques, que liberou capital num momento como este.

Um novo modelo de loja testado neste ano também deu certo. Neste mês, serão reinauguradas quatro lojas, uma delas na Avenida Paulista.

“Em 2022, vamos manter o projeto de reformas em pelo menos mais 20 lojas e também esperamos retomar o nosso projeto de expansão”, diz Pimentel.

Diferentemente de muitas redes, especialmente pequenas e médias, que querem sair dos shoppings devido às dificuldades de negociação, a Marisa quer ter mais lojas em shoppings.

Hoje, aproximadamente metade das 344 estão em centros comerciais.

“Colocar uma loja Marisa em shopping não é tão fácil porque as lojas são grandes, com cerca de 1.200 metros quadrados de área de venda. Estamos vendo as oportunidades.”

RIACHUELO

A partir deste final de semana e até o dia 28 deste mês, a rede Riachuelo vai colocar nas lojas produtos com descontos de até 80%, aproveitando o período da Black Friday.

Elio Silva, diretor executivo de marketing e canais da empresa, diz que as vendas da companhia não deverão ser muito diferentes das registradas em 2019.

“Dado o cenário econômico, não tínhamos grandes expectativas de vendas neste final de ano, nós já tínhamos traçado um cenário mais conservador”, afirma Silva.

Além de o consumidor estar com menos dinheiro no bolso devido às condições macroeconômicas, diz ele, há falta generalizada de insumos.

Apesar do momento nada favorável aos investimentos, a Riachuelo termina o ano com 11 lojas novas da Casa Riachuelo, 25 da Carter’s e 15 da Riachuelo, com um total de 358 lojas no país.

Os números para 2022 ainda estão sendo fechados por conta do cenário complexo. “Não deve ser um ano de grandes avanços. Achamos que 2023 será melhor”, diz.

CUIDADO COM O CRÉDITO

As dicas de especialistas que estão sempre de olho nos balanços das grandes redes estão voltadas para os sistemas de análise de crédito das empresas.

“As grandes redes, geralmente, possuem uma boa estrutura de análise de crédito e, por isso, elas estão expostas a menos riscos. Agora, num momento como este, o problema é vender e não receber”, afirma Fabio Silveira, sócio-diretor da MacroSector Consultores.

Como a massa real de salários dos brasileiros terá pouco ou nenhum crescimento neste ano, diz ele, as vendas estarão basicamente apoiadas em crédito neste final do ano. “A carteira de cliente hoje, especialmente formada por bons pagadores, vale ouro.”

Agora mesmo este cliente que paga as contas em dia, diz Silveira, vai ter de aguentar um forte aumento de taxas de juros neste ano e em 2022. “A política de análise de crédito das empresas, portanto, tem de ser a mais qualificada possível.”

Em março, a taxa básica de juros da economia era de 2,75% ao ano e hoje está em 7,75%.

“A taxa era uma e, em pouco tempo, é outra bem maior numa economia que cresce pouco ou não cresce. É por isso que este quarto trimestre pode ser mais fraco que o do ano passado”, diz Silveira.

Aquele ambiente de perspectiva de retomada da economia de três meses atrás, diz ele, definitivamente está adiado.

 

IMAGEM: Thinkstock






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