Economia

Dólar tem dia de trégua após tensão da véspera e termina em R$ 3,95


A moeda norte-americana ficou estável. O índice Bovespa também superou a instabilidade da segunda-feira


  Por Estadão Conteúdo 06 de Agosto de 2019 às 19:21

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O dólar teve um dia de trégua nesta terça-feira, 6/8, após o nervosismo de segunda-feira, que levou a moeda para perto de R$ 4,00. Com o alívio no exterior, após a China não permitir desvalorização maior do yuan, a moeda americana teve uma manhã volátil, mas passou a operar perto da estabilidade e fechou cotada em R$ 3,9551, praticamente estável (-0,03%), interrompendo uma sequência de seis altas seguidas.

A retomada das discussões sobre a Previdência na Câmara é monitorada pelas mesas de câmbio, mas operadores destacam que a aprovação no segundo turno da Câmara já está embutida nos preços e o foco maior agora deve ser no exterior, na relação entre Pequim e Washington.

Na máxima, o dólar chegou a bater em R$ 3,98, seguindo a alta da moeda americana no exterior ante divisas fortes e emergentes. Mas o movimento perdeu fôlego lá fora e se refletiu aqui e a moeda americana chegou a recuar para R$ 3,93, na mínima do dia.

"O mercado está mais tranquilo com a volta do yuan", afirma o economista David Beker, chefe de Economia e Estratégia para o Brasil do Bank of America Merrill Lynch, destacando que a preocupação de que a guerra comercial se transforme em guerra cambial provocou forte nervosismo na segunda feira e segue no radar dos investidores.

A BOLSA CAI

A PERCEPÇÃO de arrefecimento das tensões comerciais entre Estados Unidos e China deu condições para o Índice Bovespa recuperar nesta terça-feira quase toda a perda da véspera, quando uma onda de aversão ao risco causou quedas generalizadas nos mercados de renda variável.

O principal índice de ações da B3 já iniciou o dia em terreno positivo e fechou com alta de 2,06%, aos 102.163,69 pontos, muito próximo da máxima do dia.

A alta foi generalizada entre as blue chips, mas foi garantida principalmente pelo setor financeiro, bloco de maior peso na composição da carteira do Ibovespa.

O índice que congrega 17 papéis do setor financeiro, incluindo previdência e seguros (IFNC), teve alta de 2,71%. Entre os papéis dessa carteira, destaque para Itaú Unibanco PN (+3,02%). Os sinais de que a China não deve iniciar uma guerra cambial contra os Estados Unidos foi o gatilho de uma recuperação global dos mercados de ações.

As bolsas de Nova York subiram mais de 1% e o MSCI Emerging Markets, que mede a variação das bolsas de 24 países emergentes, terminou o dia com ganho de 1,43%.

No ambiente doméstico, o noticiário foi considerado como um pano de fundo positivo, mas sem novidades que pudessem influenciar os negócios.

No foco das atenções está a votação da reforma da Previdência em segundo turno na Câmara, cujas discussões se iniciam nesta terça. Analistas ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, foram unânimes ao avaliar que a aprovação da reforma já está precificada, com limitado poder de impulsão às ações.

IMAGEM: Thinkstock