Economia

Diminui o desemprego entre mulheres na Grande São Paulo


Taxa caiu de 19,7%, em 2017, para 18,3%, em 2018, segundo levantamento da Fundação Seade, puxada não somente pelo aumento do nível de ocupação, mas pela saída delas do mercado de trabalho


  Por Redação DC 09 de Março de 2019 às 12:00

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


A leve recuperação econômica entre 2017 e 2018 fez a taxa de desemprego feminino diminuir de 19,7% para 18,3% na Região Metropolitana de São Paulo. Mesmo sendo resultado do aumento do nível de ocupação, o indicador também foi influenciado pela saída das trabalhadoras do mercado de trabalho.

Os dados são do levantamento "Mulher & Trabalho", elaborada pela Fundação Seade, com base em informações atualizadas da Pesquisa Mensal de Emprego (PED), realizada em parceria com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos).  

Acompanhando a inserção de mulheres no mercado de trabalho desde a década de 1990, a Fundação constatou, em uma série histórica de 20 anos (1998 a 2018), que essa presença se intensificou, gradualmente, até 2008. No período, a taxa de participação feminina na região atingiu seu ponto mais alto (56,4%).

A partir daí, o indicador registrou pouca alteração e, entre 2017 e 2018, diminuiu de 55,1% para 54,2%. Ou seja, nem a recuperação econômica foi suficiente para estimular a maior participação delas na força de trabalho.  

Outra constatação da Fundação Seade é que mais mulheres do que homens saíram do mercado de trabalho em 2018, principalmente na faixa etária entre 25 e 59 anos. Parte dos fatos que explicam essa retração envolve a espera por uma melhora mais consistente da economia para o (re)início da procura ativa por trabalho. 

O adiamento da entrada de jovens também vem sendo considerado um dos principais fatores de desaceleração do ritmo de participação feminina no mercado de trabalho. A pesquisa mostra que a taxa de participação das mulheres entre 16 e 24 anos vem se retraindo no decorrer dos anos e, em 2018, permaneceu relativamente estável.

Por outro lado, o nível ocupacional das mulheres voltou a crescer em 2018, após retração nos três anos anteriores. O pequeno aumento de 1% no nível de ocupação feminina, entre 2017 e 2018, deve-se ao comportamento positivo na indústria, no comércio e, com menor intensidade, nos serviços, em que a elevação dos serviços domésticos compensou a retração observada em outros segmentos do setor, como atividades administrativas e comunicação.

Segundo posição na ocupação, além das empregadas domésticas (diaristas e mensalistas), houve crescimento, também, entre as trabalhadoras autônomas e as assalariadas com carteira de trabalho assinada.

De acordo com as características pessoais, destacam-se os aumentos nos percentuais de mulheres ocupadas com 25 a 39 anos de idade, com ensino médio completo e com o superior completo.

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Combinados, o desempenho positivo do nível de ocupação feminina e o decréscimo da taxa de participação, resultou na redução da taxa de desemprego das mulheres - o que não ocorria desde 2013.

Esse comportamento, segundo a fundação, é resultado da retração das taxas de desemprego aberto (16,8% para 15,5%) e oculto (2,9% para 2,6%).

Quantos aos rendimentos do trabalho, considerados por hora, nesse estudo, devido aos diferenciais de jornada de trabalho entre mulheres e homens, poucas mudanças -e perdas consideráveis ao longo dos anos. 

Entre 2017 e 2018, o rendimento médio por hora das mulheres caiu em 1,6% e passou a valer R$ 11,08 - o equivalente a 86% do recebido pelos homens. Essa relação era de 87% em 2017, mas chegou a 74%, em 1998. 

A aproximação entre os rendimentos dos dois segmentos ocorreu, principalmente, pela maior desvalorização dos rendimentos médios dos homens, mais afetados, nas últimas décadas, pelo fechamento de postos de trabalho na indústria, e em segmentos do setor de serviços, que são mais bem remunerados.

 

NOVOS ARRANJOS FAMILIARES

Os novos arranjos familiares nas análises de mercado de trabalho também são considerados nas análises do mercado de trabalho - especialmente no que diz respeito às mulheres, pois, geralmente, são elas que se dedicam aos cuidados da casa, dos filhos e parentes idosos ou com alguma incapacidade ou enfermidade, seja responsabilizando-se exclusivamente por essas atividades, seja conciliando-as com o trabalho remunerado, segundo a Fundação Seade.  

Isso explica, em parte, jornadas de trabalho menores ou a proporção relativamente baixa de mulheres no mercado de trabalho, situações em que a participação dos filhos se torna desejável ou necessária na composição do orçamento familiar, em especial nos arranjos sem presença do cônjuge ou quando sua remuneração é insuficiente.

Entre os biênios 2007/08 e 2017/18, o número médio de pessoas nas famílias da RMSP caiu de 3,2 para 2,9 pessoas. Isso ocorreu, principalmente, pela redução do número médio de filhos, que passou de 1,3 para 1 por família.  

As famílias estão se mostrando um pouco menos representadas pelo clássico formato de casal com filhos, que agregava 44,5% do total de famílias, em 2007/2008, e passou para 37,9%, em 2017/18. Também estão perdendo participação arranjos que incluem outros parentes ou agregados (de 16,9% para 14,8%).

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Os outros tipos de arranjos, em especial o de pessoa que mora sozinha e o constituído por casal sem filhos, aumentaram sua proporção para 16,2% cada um. Os chefes sem cônjuge com filhos – situação em que as mulheres são maioria – também aumentaram, passando de 13,1% para 14,9%, no período.

A chefia preponderante nas famílias ainda é a masculina, embora tenha diminuído nos últimos dez anos. Em contrapartida, a proporção de mulheres "chefes da casa" cresceu de 27,5% para 33,1%.

O aumento ocorreu em praticamente todos os arranjos familiares, mantendo maior concentração no tipo de família constituído por chefes sem cônjuge com filhos (13,2%) e de pessoas que moram sozinhas (8,9%).

FOTO: Thinkstock / Infográficos: Fundação Seade-Dieese