Economia

Desemprego tem leve queda no segundo trimestre, aponta IBGE


Mesmo com a alta na ocupação, mais da metade da força de trabalho ainda está sem emprego


  Por Agência Brasil 31 de Agosto de 2021 às 14:57

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


A desocupação caiu 0,6 ponto percentual no trimestre móvel encerrado em junho deste ano, na comparação com o primeiro trimestre, e fechou junho com taxa de 14,1%.

Mesmo com essa redução, o país tem 14,4 milhões de pessoas procurando trabalho. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) e foram divulgados nesta terça-feira, 31/08, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O recorde da desocupação foi verificado no primeiro trimestre de 2021, com um total de 14,8 milhões de pessoas. De acordo com a analista da pesquisa, Adriana Beringuy, apesar da recuperação, a desocupação continua alta e representa o maior nível da série histórica para um segundo trimestre.

“A população fora da força de trabalho subiu muito no ano passado e continua alta, num nível ainda bem mais elevado do que no período pré-pandemia. No trimestre houve uma queda de 1,6 milhão de pessoas fora da força de trabalho. Na comparação anual, depois de cinco trimestres com expansão consecutiva dessa população, houve a redução”.

Ela destaca que a comparação anual é com o segundo trimestre de 2020, quando se começou a sentir os efeitos mais fortes da pandemia e a população fora da força de trabalho cresceu bastante.

Pelo lado contrário, a população na força de trabalho teve uma expansão de 1,8% no segundo trimestre e chegou a 102 milhões de pessoas. Na comparação anual, o crescimento foi de 6,3%, após quatro trimestres de retração.

METADE DA FORÇA DE TRABALHO ESTÁ SEM EMPREGO

O número de pessoas ocupadas no Brasil subiu para 87,8 milhões no segundo trimestre, um aumento de 2,5%, ou mais 2,1 milhões de pessoas, na comparação com o primeiro trimestre de 2021.

Dessa forma, a ocupação subiu 1,2 ponto percentual, ficando em 49,6%. Ou seja, menos da metade da população em idade para trabalhar, com 14 anos ou mais, está ocupada no país.

De acordo com Adriana, houve crescimento em várias formas de ocupação, incluindo o trabalho formal com carteira assinada, mostrando uma leve recuperação das perdas provocadas pela pandemia de covid-19.

“Até então vínhamos observando aumentos no trabalho por conta própria e no emprego sem carteira assinada, mas pouca movimentação do emprego com carteira. No segundo trimestre, porém, houve um movimento positivo, com crescimento de 618 mil pessoas a mais no contingente de empregados com carteira.”

O emprego com carteira no setor privado subiu 2,1% no período, totalizando 30,2 milhões de pessoas no segundo trimestre. Na comparação anual, o número ficou estável, interrompendo quatro trimestres sucessivos de quedas, segundo o IBGE.

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Os trabalhadores informais somaram 35,6 milhões de pessoas, com uma taxa de 40,6%. Houve aumento tanto em relação ao primeiro trimestre do ano (39,6%, com 34 milhões de pessoas), quanto com o mesmo período do ano passado (36,9%, com 30,8 milhões de pessoas).

A categoria inclui aqueles sem carteira assinada no setor privado e doméstico, empregadores ou empregados por conta própria sem CNPJ e os trabalhadores sem remuneração.

O trabalho no setor privado sem carteira teve um aumento de 3,4% no trimestre, para 10 milhões. Na comparação com o segundo trimestre do ano passado, o número subiu 16% ou 1,4 milhão de pessoas.

Já o trabalho por conta própria atingiu o patamar recorde de 24,8 milhões de pessoas. O número representa um crescimento de 4,2% na comparação trimestral. Em relação ao mesmo trimestre de 2020, o avanço foi de 3,2 milhões de pessoas, uma alta de 14,7%.

Segundo o IBGE, 52,2% da alta da ocupação total na comparação mensal e 62,7% na anual se devem ao crescimento dos trabalhadores por conta própria sem CNPJ, categoria que somou 19 milhões de pessoas. Isso representa um crescimento de 6,2% na comparação trimestral.

POR ATIVIDADE

Por ramo de atividade, o aumento da ocupação no trimestre foi puxado por alojamento e alimentação (9,1%), construção (5,7%), serviços domésticos (4,0%) e agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (3,8%).

A analista da pesquisa explica que restaurantes e hotéis avançaram 7,7% na comparação anual, o primeiro crescimento depois de quatro trimestres de quedas.

O IBGE calcula que o rendimento médio real dos trabalhadores foi de R$ 2.515 no segundo trimestre de 2021, uma redução de 3% frente ao trimestre de janeiro a março deste ano e queda de 6,6% em relação ao mesmo trimestre de 2020. A soma de todos os rendimentos dos trabalhadores ficou estável em R$ 215,5 bilhões.

 

IMAGEM: Rovena Rosa/Agência Brasil






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