Economia

Desemprego cai no terceiro trimestre, aponta IBGE


Mas informalidade aumenta e ainda há 12,5 milhões de brasileiros desocupados, 3,7% a menos que no segundo trimestre


  Por Agência Brasil 30 de Outubro de 2018 às 10:29

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


A taxa de desemprego ficou em 11,9% no terceiro trimestre. O índice, medido pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Contínua (Pnad-C), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é inferior aos 12,4% registrados no segundo trimestre deste ano e no terceiro trimestre do ano passado.

A população desocupada ficou em 12,5 milhões, ou seja, 3,7% a menos do que no segundo trimestre deste ano e 3,6% a menos do que no terceiro trimestre de 2017.

Já a população ocupada somou 92,6 milhões de pessoas, um aumento de 1,5% tanto em relação ao segundo trimestre deste ano quanto em relação ao terceiro trimestre de 2017.

A Pnad-C também avaliou neste trimestre a taxa de subutilização da força de trabalho, que é o percentual de pessoas desocupadas, que trabalham por menos horas do que poderiam ou que estão na força de trabalho potencial.

A taxa ficou em 24,4% no terceiro trimestre deste ano, abaixo do 24,6% do trimestre anterior e relativamente estável em relação ao 23,9% do terceiro trimestre do ano passado.

A população subutilizada somou 27,3 milhões de pessoas, estável em relação ao trimestre anterior, mas 2,1% superior ao terceiro trimestre de 2017.

O número de pessoas desalentadas (aquelas que não procuram emprego porque acham que não vão conseguir) ficou em 4,8 milhões, estável em relação ao trimestre anterior e 12,6% acima do mesmo trimestre de 2017 (4,2 milhões).

Já a taxa de desalentados entre o total da força de trabalho foi de 4,3%, relativamente estável em relação ao segundo trimestre deste ano (4,4%) e acima dos 3,9% do terceiro trimestre do ano passado.

O rendimento médio real habitual dos trabalhadores no terceiro trimestre ficou em R$ 2.222, estável em ambas as comparações. Também manteve estabilidade a massa de rendimento real habitual (R$ 200,7 bilhões).

INFORMALIDADE

Embora o mercado de trabalho tenha melhorado, a geração de vagas permanece concentrada na informalidade, com prejuízos à contribuição para a Previdência Social, observou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Temos motivos para comemorar, esse 1,4 milhão (de vagas), mas temos motivos para ficar preocupados, porque a qualidade do emprego continua em queda", ressaltou Azeredo. "Ainda restam 12,5 milhões de pessoas em situação de desocupação no território brasileiro. Essa geração de vagas tem parte expressiva voltada para ocupações caracterizadas pela informalidade", completou.

No trimestre encerrado em setembro, foram criadas 522 mil vagas sem carteira assinada no setor privado e 432 mil pessoas passaram a trabalhar por conta própria, sendo 299 mil delas sem carteira assinada.

Aumentou também o total de pessoas subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas, atingindo o recorde de 6,859 milhões de indivíduos. Segundo Azeredo, o fenômeno tem relação com a informalidade, mas também com a mudança na legislação que permitiu o vínculo empregatício do contrato intermitente, em que o trabalhador só recebe remuneração quando acionado pelo patrão para trabalhar.

"O que puxa o emprego é (vaga) sem carteira assinada e conta própria sem CNPJ. A gente tem entrada (no mercado de trabalho) pela informalidade bem caracterizada mesmo", afirmou Azeredo.

O porcentual de trabalhadores ocupados contribuindo para a Previdência Social caiu de 63,7% em junho para 63,1% em setembro. No auge da série, em dezembro de 2015, havia 60,577 milhões de ocupados contribuindo. Em setembro, caiu a 58,398 milhões, o equivalente a 2,179 milhões de contribuintes a menos.

"Essa contribuição está muito relacionada também ao dinamismo que o trabalho está te dando. Se você não tem dinamismo, como vai contribuir? O quadro de contribuição para a previdência está muito aquém do que se via antes da crise econômica", observou Azeredo.

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