Economia

Desempenho no segundo trimestre será decisivo para a indústria


Segundo economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), queda na capacidade instalada mostra que setor sente os efeitos da desaceleração da economia


  Por Instituto Gastão Vidigal 06 de Maio de 2020 às 18:21

  | Da equipe de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


Em março, a atividade industrial recuou 3,8% em relação ao mesmo período de 2019, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), superando as expectativas de retração projetadas pelo mercado.

Em relação ao mês anterior, houve queda histórica de 9,1%, livre de efeitos sazonais, a pior desde o início da série (2002).

Esses resultados mostram a força dos efeitos negativos provocados pela pandemia, mesmo havendo três dias úteis a mais pelo fato de o Carnaval ter ocorrido em fevereiro, e podem ser vistos tanto pelo lado da desarticulação das cadeias produtivas do setor, devido à falta de insumos importados da China, como pela significativa contração da demanda, em decorrência do isolamento social, deflagrado a partir da segunda quinzena do mês.

Em 12 meses, contudo, os impactos se diluem, resultando em ligeira desaceleração da contração, que alcançou 1,0%.

No comparativo anual, a retração foi disseminada por todas as quatro categorias consideradas na pesquisa, com destaque negativo para os bens de consumo duráveis, principalmente veículos, e os semi e não duráveis, notadamente bebidas, além de artigos de viagem e calçados.

Em síntese, os resultados de março começam a refletir os impactos negativos do surto de covid-19 sobre a atividade industrial, que tendem a ampliar-se em abril, a julgar pela baixa da utilização da capacidade instalada, segundo índice apurado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), sugerindo intensa queda da atividade econômica durante o segundo trimestre e o ano como um todo, a depender da duração do distanciamento social.