Economia

Déficit nas contas públicas de julho alcançou R$ 81 bilhões


De janeiro a julho, o déficit primário chegou a R$ 483,773 bilhões, contra o resultado negativo de R$ 8,503 bilhões em igual período de 2019


  Por Agência Brasil 31 de Agosto de 2020 às 10:16

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


As contas públicas registraram, em julho, saldo negativo recorde devido às despesas extraordinárias necessárias para o enfrentamento da pandemia da covid-19.

O setor público consolidado, formado por União, estados e municípios, apresentou déficit primário de R$ 81,071 bilhões, no mês passado, o maior resultado negativo para o mês da série histórica iniciada em dezembro de 2001.

Em julho de 2019, houve déficit primário de R$ 2,763 bilhões. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira, 31/08, Banco Central (BC).

No mês passado, o Governo Central (Previdência, Banco Central e Tesouro Nacional) apresentou déficit primário de R$ 88,141 bilhões, ante R$ 1,402 bilhão em julho de 2019.

Já os governos estaduais registraram superávit de R$ 6,757 bilhões, contra déficit de R$ 2,075 bilhões, em igual mês do ano passado.

Segundo o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, esse resultado positivo dos estados ocorreu por efeito das transferências para o enfrentamento da covid-19 da União os estados e municípios, que em julho chegaram a R$ 18,3 bilhões.

“Temos uma mudança total nas condições econômicas. Os estados tiveram redução de arrecadação e nas transferências regulares da União. Neste ano, a peça importante para explicar esse resultado são os auxílios financeiros da União para estados e municípios”, disse Rocha.

Os governos municipais registraram déficit de R$ 477 milhões, em julho deste ano, contra o superávit de R$ 156 milhões em igual mês de 2019.

As empresas estatais federais, estaduais e municipais, excluídas as dos grupos Petrobras e Eletrobras, registraram superávit primário de R$ 790 milhões no mês passado.

ACUMULADO

De janeiro a julho, o déficit primário chegou a R$ 483,773 bilhões, contra o resultado negativo de R$ 8,503 bilhões em igual período de 2019.

Em 12 meses encerrados em julho, o déficit primário ficou em R$ 537,143 bilhões.

A meta para este ano era de déficit primário de R$ 118,9 bilhões. Entretanto, o decreto de calamidade pública dispensou o governo de cumprir a meta.

DÍVIDA PÚBLICA

A dívida líquida do setor público (balanço entre o total de créditos e débitos dos governos federal, estaduais e municipais) chegou a R$ 4,322 trilhões em julho, o que corresponde 60,2% do PIB, o maior percentual desde fevereiro de 2003, quando também estava em 60,2% do PIB.

Em junho, esse percentual estava em 58%. Num primeiro momento, o BC tinha informado que o percentual era o maior desde outubro de 2002.

Em julho, a dívida bruta - que contabiliza apenas os passivos dos governos federal, estaduais e municipais - chegou a R$ 6,210 trilhões ou 86,5% do PIB, contra 85,5% em junho deste ano. Esse é o maior percentual da série histórica do BC, iniciada em dezembro de 2006.

A dívida pública bruta é um indicador usado para avaliar a solvência das finanças de um país. Quanto mais alto o indicador, maior a desconfiança em relação à capacidade de um governo honrar os compromissos.

 

IMAGEM: Thinkstock





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