Economia

Crise reduz efeito positivo da alta do dólar para a indústria


A valorização da moeda norte-americana não tem sido capaz de reverter os resultados negativos do setor. Recessão reduz a demanda e mantém a confiança dos empresários baixa


  Por Estadão Conteúdo 28 de Dezembro de 2015 às 16:05

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O impacto negativo da recessão econômica sobre a demanda interna e externa tem minimizado os benefícios da desvalorização cambial sobre a produção da indústria e, por conseguinte, da confiança dos empresários do setor. 

Essa é a conclusão a que chegam os especialistas que acompanham o segmento, como Tabi Thuler Santos, coordenadora da Sondagem da Indústria de Transformação da FGV/Ibre.

"Para muitos especialistas a questão do câmbio como estímulo para a indústria é controversa. O câmbio neste momento não garante a estabilidade da indústria, que precisa de melhoras estruturais", disse Tabi, ao comentar a Sondagem da Indústria da Transformação de dezembro. 

"Mesmo quem defende uma política de câmbio forte sabe que neste momento o real desvalorizado não é suficiente para recuperar a confiança da indústria, aumentar a produção e gerar empregos", disse a economista.

De acordo com a coordenador da Sondagem Industrial da FGV/Ibre, o aumento de 1,1 ponto do Índice de Confiança da Indústria (ICI) neste mês, para 75,9 pontos não traz alento para o setor porque a expansão não recupera as mínimas históricas. 

Segundo a economista, a melhora encontra-se ainda muito concentrada. Dos 19 setores da indústria que compõem a Sondagem da FGV/Ibre, apenas em oito se verificou avanço da confiança.

"Não esperamos recuperação da indústria no primeiro semestre de 2016. Se o câmbio está ajudando a reduzir o volume das importações, ele está também aumentando a dívida em dólar do setor e o volume de remessas de lucros e dividendos para o exterior", observou Tabi. 

De acordo com ela, a queda das importações não está se traduzindo em aumento de demanda por produtos nacionais.

"Há muitas incertezas no front político e isso leva ao aumento da desconfiança", diz a coordenadora da FGV. 

Além de tudo isso, afirma a economista, todos os indicadores da Sondagem que registraram aumento em dezembro ficaram ainda abaixo das suas médias históricas. 

É o caso, por exemplo, do indicador do Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) da indústria que subiu 0,5 ponto em dezembro para 75,1 pontos mas que está abaixo da média histórica de 81,1 pontos nos últimos 60 meses.

Outra variável que dá margem para a economista acreditar que a indústria não deve melhorar nos próximos meses são os estoques. Saiu de 125,5 pontos em novembro para 121,6 pontos em dezembro, mas graças a redução da produção e do emprego.

A Sondagem Industrial de dezembro ouviu 1.126 empresas entre os dias 1º e 21 de dezembro.


FOTO: Thinkstock

 







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