Economia

Cotait destaca o papel da Associação Comercial na nova economia


Em visita à Distrital Oeste, o presidente da ACSP (acima) falou das conquistas e desafios da entidade para facilitar o dia a dia dos negócios de pequenos e médios empreendedores


  Por Karina Lignelli 04 de Setembro de 2019 às 19:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


"Não se ensina a ser empreendedor; ele nasce assim. O que é preciso é dar chance para que ele possa se desenvolver em qualquer realidade." A frase, de Alfredo Cotait Neto, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) deu o tom da sua palestra "O papel da associação comercial na economia liberal", realizada na última terça-feira (03/09) na Distrital Oeste. 

Empreendedorismo, livre iniciativa e a onipresença da ACSP em assuntos pertinentes ao dia a dia do pequeno e médio negócio dentro da nova economia foram os principais temas abordados pelo presidente da ACSP no encontro. 

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Lembrando do romantismo do grupo que, 30 anos atrás, contava com o próprio Cotait, o assessor especial do Ministério da Economia, Guilherme Afif Domingos e o atual ministro da pasta, Paulo Guedes, entre outros, sonhava em transformar o modelo econômico do Brasil, o presidente da ACSP afirmou que agora esse sonho começa a virar realidade com o novo governo. 

"É uma mudança radical que fundamenta o primeiro passo para a saída de um modelo onde a dependência do estado permeava as ações, para entrar na economia liberal baseada na livre iniciativa", afirmou. 

Entre as ações que já pavimentam esse novo caminho, ele citou o recém-regulamentado cadastro positivo, uma bandeira antiga da ACSP e da Boa Vista SCPC, considerada por ele como uma "revolução no crédito" - medida que ele também se empenhou para que fosse aprovada durante sua passagem como parlamentar do Senado. 

"O consumidor não vai mais ser negativado por uma conta que ele esqueceu de pagar, mas pelo histórico de pagamento", afirma. "É uma iniciativa para oferecer crédito mais barato e diminuir o spread bancário."

Cotait citou também outra conquista da ACSP: a empresa simples de crédito, uma modalidade onde qualquer pessoa, com um mínimo de recursos, pode abrir um empresa com custo menor. "Ela veio para facilitar o trabalho do pequeno e médio empreendedor", disse, lembrando que hoje há mais de 2 mil empresas do tipo no Brasil.  

A terceira ação, conforme mencionou aos presentes, é o apoio da ACSP à Reforma da Previdência, um "trabalho importante", segundo Cotait, que ao ajudar a equilibrar as contas do governo, aumentará a confiança dos investidores e "fará a sinalização necessária para atrair mais recursos e investimentos para o país."

O presidente da ACSP citou também a recém-aprovada MP da Liberdade Econômica, fundamental para o desenvolvimento da pequena e média empresa, ao reduzir burocracias que diminuíam a competitividade e isentaram startups de alvarás e licenças de funcionamento. "Aprovamos 81 itens que facilitam a vida do empreendedor e só perdemos um - o do trabalho aos domingos - mas vamos trabalhar para inclui no projeto final."

Por último, Cotait falou sobre a Reforma Tributária - uma bandeira antiga da ACSP que agora tramita no Congresso, e a mais séria de todas, em sua opinião, mas que tem três propostas dferentes para votação.

Por enquanto, segundo o presidente, a ACSP fala em simplificação do sistema. Porém, apoia a mais factível, que é a proposta do governo de unificar impostos federais e incidirá sobre o consumo, assim como a principal mudança, que é a desoneração da folha de pagamento.  

"É absurdo taxar salários. Temos 13 milhões de desempregados no país, é hora de começar a enxergar os erros do passado e oferecer um ambiente melhor para a geração de empregos", afirma. "Somos protagonistas da reforma, com o objetivo de que ela não onere mais o contribuinte e faça com que o Brasil volte a crescer e ter oportunidades." 

Dentro desse contexto, o presidente da ACSP reforçou o papel, tanto da Distrital Lapa, chamada por ele de "a casa do empreendedor da Zona Oeste", como as demais da ACSP, como polos convergentes tanto na solução dos problemas da comunidade do seu entorno, assim como para fomentar os pequenos negócios locais.

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"Precisamos revigorá-las para fazer os empreendedores se somarem a nós, com o objetivo não de melhorar a vida do cidadão, mas também para defender a livre iniciativa", concluiu.

Participaram também da palestra Mário Pietro Martinelli, diretor-superintendente da Distrital Oeste da ACSP; Osmar Pereira Machado Jr., coordenador adjunto das sedes distritais da ACSP e conselheiro nato da Distrital Centro-Sul; Ana Cláudia Badra, coordenadora geral do Conselho da Mulher Empreendedora (CMEC) e da Cultura da ACSP; Gisela Rosemarie Ehrenberg Müller, coordenadora do CMEC e da Cultura na Distrital Oeste; Douglas Formaglio, vice-presidente da ACSP e conselheiro nato da Distrital Oeste, e Francisco Antônio Parisi, vice-presidente da ACSP e conselheiro nato da Distrital Mooca. 

FOTOS: Danielle Pessanha