Economia

Copom mantém Selic em 6,5% pela quarta vez seguida


Taxa continua no menor nível desde 1986, início da série histórica. Para ACSP, decisão foi acertada, já que o nível de atividade econômica evolui em marcha lenta


  Por Agência Brasil 19 de Setembro de 2018 às 18:11

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


Pela quarta vez seguida, o Banco Central (BC) não alterou os juros básicos da economia. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve hoje (1º) a taxa Selic em 6,5% ao ano. A decisão era esperada pelos analistas financeiros.

Com a decisão de hoje, a Selic continua no menor nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 1986. De outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi mantida em 7,25% ao ano e passou a ser reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em julho de 2015. Em outubro de 2016, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia até que a taxa chegasse a 6,5% ao ano em março de 2018.

Em maio, o BC interrompeu uma sequência de quedas da Selic e manteve a taxa em 6,5% ao ano, numa decisão que surpreendeu o mercado financeiro. Na ocasião, o BC alegou que a instabilidade internacional, que se manifestou na valorização do dólar nos últimos meses, influenciou a decisão.

O comunicado da decisão, no entanto, diz que o estimulo à economia poderá ser "removido gradualmente caso o cenário prospectivo para a inflação no horizonte relevante para a política monetária e/ou seu balanço de riscos apresentem piora".

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A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA acumula 4,19% nos 12 meses terminados em agosto, abaixo do centro da meta de inflação, que é de 4,5%.

O índice foi o menor para meses de agosto desde 1998, depois de a inflação ter subido em junho e julho por causa da greve dos caminhoneiros, que provocou escassez de produtos e alta de preços.

Até 2016, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelecia meta de inflação de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos, podendo chegar a 6,5%. Para 2017 e 2018, o CMN reduziu a margem de tolerância para 1,5 ponto percentual. A inflação, portanto, não poderá superar 6% neste ano nem ficar abaixo de 3%. 

ACERTO

Roberto Mateus Ordine, presidente em exercício da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), diz que a decisão do Banco Central (BC) de manter a taxa básica de juros (Selic) em 6,5%, menor nível da série histórica, foi acertada.

A seu ver, é preciso que o Banco Central atue mais intensamente junto ao mercado financeiro para aumentar a concorrência entre os bancos e reduzir os compulsórios, "a fim de diminuir os juros para pessoa física, que ainda estão muito altos (em 30,5% a.a.), aproximando-os assim do juro básico da economia, de 6,5%”, afirma. 

A decisão atual do BC se justifica pelo último dado de inflação, que está abaixo do centro da meta (4,19%). “Além disso, o nível de atividade econômica está evoluindo em marcha muito lenta, abaixo do esperado, o que deve levar o PIB a fechar o ano próximo do resultado de 2017, ao contrário das expectativas iniciais”.

Ordine também chama atenção para os números de desemprego, que ainda estão muito elevados. "Quase não se está gerando emprego no Brasil, então não há ameaças à inflação nesse campo, não exigindo, assim, alteração na Selic".

INFLAÇÃO

No Relatório de Inflação, divulgado no fim de junho pelo Banco Central, a autoridade monetária estima que o IPCA encerrará 2018 em 4,2%. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 4,09%.

Do fim de 2016 ao final de 2017, a inflação começou a diminuir por causa da recessão econômica, da queda do dólar e da supersafra de alimentos. Os índices haviam voltado a cair no início deste ano, afetados pela demora na recuperação da economia, mas voltaram a subir depois da greve dos caminhoneiros, que durou 11 dias e provocou desabastecimento de alguns produtos no mercado.

CRÉDITO MAIS BARATO

A redução da taxa Selic estimula a economia porque juros menores barateiam o crédito e incentivam a produção e o consumo em um cenário de baixa atividade econômica.

No último Relatório de Inflação, o BC projetava expansão da economia em 1,6% para este ano, estimativa revista para baixo depois da greve dos caminhoneiros.

Segundo o boletim Focus, os analistas econômicos projetam crescimento de 1,36% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos pelo país) em 2018.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia.

Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.

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