Economia

Contas externas continuaram sólidas em fevereiro


Mas alguns fatores poderão prejudicar o desempenho das exportações brasileiras, tais como a desaceleração econômica da Europa e da China


  Por Instituto Gastão Vidigal 26 de Março de 2019 às 19:11

  | Da equipe de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


*Por Olezio Sole

A balança comercial brasileira fechou o mês de fevereiro com um saldo positivo (superávit) de US$ 3,2 bilhões, representando um acréscimo de 19,0% relativamente ao registrado no ano anterior, devido à forte queda no valor das importações.

Por consequência, nesse mês o saldo negativo (déficit) das transações correntes do balanço de pagamentos, que registra o saldo do comércio de bens, serviços e rendas do Brasil com os demais países, foi de apenas US$ 1,1 bilhão, cobertos com folga pela entrada no país de US$ 8,4 bilhões na forma de investimentos diretos no país, recursos destinados a financiar novas iniciativas no setor produtivo.

No primeiro bimestre, contribuiu também para a redução do “rombo externo” o recuo de 14,8% nos gastos com serviços, na comparação com o mesmo período de 2018. As maiores diminuições vieram das despesas com viagens ao exterior e com aluguel de equipamentos, em função tanto do encarecimento do dólar como do menor crescimento da economia.

Nos últimos doze meses encerrados em fevereiro, o saldo negativo das transações correntes foi de US$ 13,8 bilhões, representando apenas 0,74% do PIB, enquanto as entradas de capitais, na forma de investimentos diretos, atingiram um total de US$ 89,5 bilhões, ou seja, 4,77% do PIB.

Os superávits comerciais nos últimos anos praticamente equilibraram as contas externas brasileiras, e, desde 2015, os modestos déficits em transações correntes estão sendo mais do que compensados pela entrada líquida de capitais estrangeiros no país, tal como se observa no gráfico.

 Podemos concluir que neste ano a balança comercial deverá continuar apresentando saldos robustos, contribuindo para equilibrar as contas externas, mesmo que se confirme a previsão de um crescimento maior da economia brasileira, que implicará numa expansão das compras externas. 

Existem, no entanto, alguns fatores externos que poderão prejudicar em parte o desempenho das exportações brasileiras, tais como a desaceleração econômica da Europa e da China, a guerra comercial entre este último país e os Estados Unidos, a crise argentina, o acirramento das tensões políticas em várias regiões, além dos preços declinantes das commodities, produtos relevantes da pauta de exportação do país.  

Mesmo que, futuramente, o País venha a ter déficits maiores nas contas externas, dificilmente voltará a ter crises cambiais da mesma intensidade daquelas ocorridas no passado mais distante, pois conta com o “lastro” de US$ 380 bilhões em reservas internacionais.

 

IMAGEM: Pixabay