Economia

Confiança dos pequenos negócios despenca 21,6 pontos em março


Índice apurado pelo Sebrae, em parceria com a FGV, mostra que a confiança dos micro e pequenos empresários caiu ao nível de 2014


  Por Agência Sebrae 09 de Abril de 2021 às 15:12

  | Informações do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena empresa


A confiança dos empreendedores das micro e pequenas empresas despencou no último mês de março, de acordo com o estudo inédito “Sondagem Econômica MPE”, realizado pelo Sebrae em Parceria com a FGV.

A queda pode ter sido causada pelo fim de programas emergenciais e pela adoção de medidas mais restritivas nos estados brasileiros. Tanto o Índice de Confiança do Comércio de Micro e Pequenas Empresas (ICOM-MPE) quanto o Índice de Confiança de Serviços de Micro e Pequenas Empresas (ICS-MPE) atingiram praticamente o mesmo patamar da recessão de 2014 e a níveis semelhantes a meados de 2020.

O ICOM-MPE caiu 21,6 pontos entre fevereiro e março desse ano, passando de 89,9 para 68,3 pontos. Já o ICS-MPE recuou, na variação mensal, 6,1 pontos, passando de 81,2 para 75,1 pontos.

Se comparados com os números detectados desde o início da pandemia, o Índice de Confiança do Comércio atingiu um patamar próximo ao de maio do ano passado, um dos piores meses de 2020, e o do Serviços, o mesmo de julho, interrompendo uma melhora que vinha sendo detectada desde o segundo semestre do ano passado.

De acordo com o presidente do Sebrae, Carlos Melles, todos os indicadores que orientam a sondagem estão em queda e sinalizam um alerta. Para ele, há a possibilidade de que os resultados continuem a piorar nesse mês de abril, mas existe a expectativa de que a nova rodada do auxílio emergencial e a vacinação atenuem esse impacto.

COMÉRCIO

As micro e pequenas empresas do Comércio são as mais impactadas e as que sofreram perdas mais expressivas se comparadas com as médias e grandes empresas, após a eclosão da pandemia.

Em março desse ano, enquanto as médias e grandes empresas apresentaram uma queda de 18,5 pontos do ICOM, as micro e pequenas viram seu Índice de Confiança cair 21,6.

“Esse é mais um sinal de alerta para os pequenos negócios, que não têm capital de giro suficiente para se manterem durante tanto tempo. Além disso, os consumidores estão mais retraídos, pensam mais antes de gastar e estão se preocupando em poupar para evitar impactos mais profundos no futuro”, afirma Melles.

SERVIÇOS

Apesar de as quedas no setor de Serviços, de fevereiro para março de 2021, terem sido mais amenas se comparadas com o Comércio, as micro e pequena empresas de serviços foram as que mais sofreram com a pandemia durante 2020. Portanto, seus indicadores têm uma base mais deprimida.

Assim, enquanto elas apresentaram uma queda no ICOM-MPE de 6,1 pontos, o Índice de Confiança das Médias e Grandes Empresas retraiu 5,6.

A maior dificuldade do setor de serviços, em relação ao comércio, decorre das limitações de circulação impostas pela pandemia, levando consumidores a gastar relativamente mais em bens industriais, comprados pela internet que em serviços onde a presença física do cliente é indispensável e a poupar de forma precavida.

A pesquisa mostra também que a queda do ICS-MPE em março de 2021 foi motivada não apenas pela piora da percepção sobre situação atual, mas também pelo pessimismo em relação às expectativas, o que os empresários esperam para os próximos 3 a 6 meses.

“Com a interrupção do auxílio emergencial, o aumento do número de casos da covid-19 e as medidas mais restritivas de circulação frente a nova onda de contaminação, prevê-se muita dificuldade para as MPE do setor nos próximos meses”, diz Melles.

SOBRE A NOVA SONDAGEM

A Sondagem Econômica MPE para os setores da Indústria de Transformação, do Comércio e de Serviços é um novo estudo que passa a ser realizado mensalmente pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE).

As séries históricas iniciam em 2010 e todos os resultados, anteriores a março desse ano, foram gerados a partir das Sondagens de Tendência do IBRE considerando o desenho amostral construído para gerar estatísticas nacionais e agregadas de cada setor.

Para a edição de março foram pesquisadas 435 empresas de comércio e 738 empresas de serviços entre os dias 01 e 24 de março.

 

IMAGEM: Thinkstock






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