Economia

Confiança do consumidor cai em março ao pior nível desde o início da pandemia


Índice da Associação Comercial de São Paulo mostra que o receio de perder o emprego e de piora na situação econômica afetam o consumidor


  Por Redação DC 29 de Março de 2021 às 14:25

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


O Índice Nacional de Confiança (INC) de março, pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) realizada em parceria com a Behup, caiu cinco pontos em março, se comparado com fevereiro, atingindo 76 pontos. O dado é o pior registrado desde o início da pandemia.

A variação do indicador é de 0 e 200 pontos. Os pesquisadores ouviram neste mês 1.500 pessoas de todas as regiões do país.

O agravamento das crises econômica e sanitária provocadas pela propagação das novas variantes do novo coronavírus, somadas ao fim do auxílio emergencial e às implementações das medidas restritivas para o comércio, bares, restaurantes e de mobilidade urbana, são os fatores que influenciaram essa queda de confiança.

“Só a vacinação em massa e o retorno gradativo ao trabalho da população poderá reverter este quadro”, afirma Marcel Solimeo, economista da ACSP. “A tendência é de piora da confiança do consumidor para os próximos meses”, complementou.

Em janeiro do ano passado, quando não se tinha ainda a notícia de que havia grande número de contágios provocado pelo novo coronavírus no Brasil, a confiança estava em 100 pontos. Logo em seguida, este índice mais otimista foi caindo. Em maio de 2020, já registrava 77 pontos.

Mas o índice começou a subir um pouco até outubro, mês em que chegou a 87 pontos, até começar a cair lentamente. “Naquele instante havia menos medidas restritivas à economia e a sensação de que o contágio da doença estava um pouco mais controlado no país; à medida que as restrições chegavam, a confiança diminuía, mas nada que causasse um grande pessimismo no consumidor”, analisou.

O INC mede a confiança e a segurança do brasileiro em relação à sua situação financeira ao longo do tempo e indica a percepção do estado da economia para a população em geral. Além disso, também visa a prever o comportamento do consumidor no mercado. Os dados foram coletados em todas as classes sociais.

POR REGIÃO

O Nordeste agrega os consumidores mais pessimistas do Brasil. Em março, o INC registou 69 pontos naquela região.

No Sul houve queda de fevereiro para março (8 pontos), chegando a 70 pontos. A diminuição mais brusca, no entanto, foi no Centro-Oeste, com 13 pontos. Esta região saiu do campo otimista de fevereiro (110 pontos) para o pessimista (97).

O Sudeste caiu de 80 para 75 enquanto a Norte foi a única localidade que a confiança subiu um ponto de um mês para outro (foi de 91 para 92 pontos).

SITUAÇÃO FINANCEIRA

De acordo com a pesquisa, 54% dos consumidores entrevistados enxergam que sua situação financeira está ruim ou péssima, 6% a mais que em fevereiro.

Do número total, apenas 25% dos brasileiros se veem bem financeiramente, 4% a menos que no mês passado.

Além disso, 61% acham que o Brasil está caminhando para a direção errada.

EMPREGO

Do universo de entrevistados, 65% perderam o emprego ou conhece alguém que ficou desempregado nos últimos seis meses e 49% acha que tem grandes chances de isso acontecer daqui para frente, por causa da economia. 

Opiniões mais globais feitas em cima deste assunto são ainda mais alarmantes. 72% acreditam que o desemprego vai aumentar no Brasil a partir de agora. Este número subiu 11% em relação a fevereiro.

“Estamos alertando há algum tempo que os empresários não terão condições de segurar os empregos dos trabalhadores, se não houver contrapartidas do poder público como a redução de alguns impostos e o aumento de prazo para pagamento de outros, além de acesso facilitado a crédito com juros baixos”, enfatiza Solimeo.

“As pessoas estão começando a perder os empregos e a tendência é piorar ainda mais se nada for feito de efetivo para ajudar os empresários”, afirmou o economista da ACSP. 

CONSUMO

Os brasileiros também estão menos dispostos a gastar neste momento. De acordo com Solimeo, a falta de dinheiro ocasionada pela inexistência do auxílio emergencial e o fechamento dos postos de trabalho por conta da crise econômica influenciaram diretamente na confiança do consumidor brasileiro.

Hoje, apenas 22% dos entrevistados se sentem mais confiantes em investir parte de suas economias em bens de grande valor como carro ou casa. No mês passado, 27% diziam estar com esta confiança.

Os números são praticamente os mesmos quando as pessoas são perguntadas em relação a bens de valor médio necessários para as casas como geladeira ou fogão. Em março, só 21% mostram estar confiantes em fazer este tipo de compra, 6% a menos do que em fevereiro. “Acabou a reserva”, diz Solimeo. “Quem comprou, comprou”, finalizou.

 

IMAGEM: Thinkstock





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