Economia

Confiança do brasileiro perde força e cai 4 pontos em julho


Consumidor iniciou o ano mais confiante, talvez porque esperasse do governo resultados no curto prazo, de acordo com a ACSP. A perspectiva é que as reformas estruturais tenham efeitos mais concretos no futuro


  Por Redação DC 08 de Agosto de 2019 às 07:55

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


O Índice Nacional de Confiança (INC) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) fechou julho em 90 pontos, quatro a menos do que os 94 registrados em junho.

A pesquisa apontou também aumento de 13 pontos em relação ao mesmo período do ano passado, que marcou 77 pontos.

Para o economista da ACSP, Marcel Solimeo, a confiança do consumidor vem perdendo força, porém segue pontuando acima do que no mesmo período do ano anterior.

“O consumidor iniciou o ano mais confiante do que agora, talvez porque esperasse do governo resultados no curto prazo. A perspectiva, no entanto, é que as reformas estruturais tenham efeitos mais concretos no futuro – via queda dos juros -, influenciando assim o otimismo do consumidor”, diz o economista.

O INC varia entre zero e 200 pontos; o intervalo de zero a 100 é o campo do pessimismo e, de 100 a 200, o do otimismo. A margem de erro é de três pontos. A pesquisa foi realizada entre os dias 17 e 24 de julho.

EMPREGO, SITUAÇÃO FINANCEIRA E RENDA 

O levantamento aponta que caiu o número de pessoas conhecidas que perderam o emprego, sendo 4,7 pontos em julho frente a 5,1 em junho.

De acordo com o economista, em termos anuais (4,9), o recuo é lento e segue a proporção dos dados do IBGE, que registrou queda no desemprego.

Outros componentes, a renda e a situação financeira do consumidor oscilaram dentro da margem de erro na passagem de junho para julho.

“Na variação mensal, há perda da confiança, reflexo de um consumidor ainda cauteloso e inseguro com o futuro. Mas, no comparativo anual, há uma melhora relativa”, diz Solimeo.

REGIÕES

A maior variação do índice foi na região Sul, cuja confiança caiu 29 pontos, de 132 em junho para 103 em julho.

“Provavelmente, as temperaturas abaixo de zero e geadas em diversos municípios prejudicaram a lavoura. Mas ainda
assim a região está no campo otimista e com a pontuação acima em relação a igual mês em 2018”, diz Solimeo.

O grupo Norte/Centro-Oeste caiu 15 pontos, de 95 para 80. Segundo o economista, essa queda pode ter sido  proporcionada pela paralisação da indústria de minérios, devido ao desastre na cidade de Brumadinho, que afetou também as barragens no sul do Pará.

Com 97 pontos, 4 pontos a mais do que no mês anterior, a região Sudeste é a que mais acredita em um futuro melhor, possivelmente por causa do avanço das reformas, que baixam os juros e aceleram a indústria. Já a região Nordeste
subiu 10 pontos na passagem de junho para julho.

“Provavelmente, este aumento é de caráter sazonal, decorrente das festas julinas”, diz o economista.

METODOLOGIA

O INC é elaborado a partir de 1.200 entrevistas pessoais e domiciliares, realizadas mensalmente em 72 municípios no Brasil inteiro, com amostra probabilística, com cota no último estágio de seleção e margem de erro de três pontos percentuais, representativa da população brasileira de áreas urbanas de acordo com dados oficiais do IBGE (Censo 2010 e PNAD 2014).

FOTO: Pixabay