Economia

Confiança do brasileiro bate novo recorde negativo em agosto


Em um ano, o INC despenca 62 pontos e avança no campo pessimista – o consumidor está inseguro no emprego e não acredita em que a economia possa melhorar no curto prazo


  Por Redação DC 11 de Setembro de 2015 às 10:58

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


O INC (Índice Nacional de Confiança) da  ACSP (Associação Comercial de São Paulo) registrou 81 pontos em agosto, o pior desempenho desde que a pesquisa começou, em 2005.

O levantamento foi feito pelo Instituto Ipsos entre os dias 14 e 31 de agosto em todo o Brasil. No INC, os valores acima de 100 pontos significam otimismo. Abaixo disso, indica pessimismo. 

Embora a diferença sobre julho (84 pontos) esteja no limite da margem de erro da pesquisa (3 pontos), o desempenho do INC nos últimos meses indica uma piora gradativa da confiança do consumidor brasileiro. Em agosto de 2014, por exemplo, foram registrados 143 pontos – ou seja, em um ano o índice despencou 62 pontos. 

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“Essa queda acentuada pode ser explicada pela maior insegurança dos brasileiros no emprego. Além disso, o consumidor está perdendo a esperança de que a economia vai melhorar a curto prazo”, diz Roberto Mateus Ordine, presidente em exercício da ACSP e da Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo).

EMPREGO E COMPRAS 

Segundo o INC, em agosto cada entrevistado conhecia, em média, 4,4 pessoas que perderam o emprego, ante 4,31 pessoas em julho. Além disso, 57% dos brasileiros ouvidos pelo Instituto Ipsos estavam inseguros no emprego; e 15%, seguros. Em julho, essa relação era de 53% e 18% e, há um ano, era de 26% e 38%.

Por causa disso, apenas 19% estavam mais à vontade para comprar eletrodomésticos, contra 62% menos à vontade. Na pesquisa de julho, esses números eram, respectivamente, 18% e 60%.

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Sobre a análise de sua situação econômica atual, 51% avaliaram como ruim, ante 25% que julgaram boa. Em julho, essa diferença era menos ampla: 49% a 27%.

O INC de agosto traz outro dado inédito: 34% das pessoas responderam que acreditam que sua situação financeira vai piorar nos próximos meses contra 33% que acham que vai melhorar. Foi a primeira vez que há uma parcela maior de consumidores pessimistas em comparação com os otimistas. Em julho, 32% achavam que pioraria e, 34%, que melhoraria. 

“Há um ano, o brasileiro estava otimista, porém cauteloso. Agora, ele está pessimista e sem boas perspectivas. O consumidor está mais inseguro e pouco propenso para compras, exigindo que o varejo foque seus esforços para capturar a atenção dos poucos consumidores que ainda se dispõem a comprar – isso por meio, principalmente, de promoções”, completa Ordine. 

Ele destaca, ainda, que as notícias recentes sobre possíveis aumentos de tributos contribuem para que o brasileiro fique mais acuado, derrubando sua disposição de acreditar num futuro melhor. 

SUL MELHORA 

O Nordeste segue como a região menos pessimista, com INC de 87 pontos em agosto contra 93 em julho. No Norte/Centro Oeste foram 77 pontos ante 90 no mês anterior – a região ainda enfrenta período de seca.

Já o Sudeste e o Sul anotaram 76 pontos em agosto. Contudo, enquanto no primeiro houve um decréscimo de sete pontos na variação mensal, o segundo apresentou uma elevação de nove pontos ante julho, provavelmente em razão das chuvas em agosto, melhorando o desempenho das safras agrícolas. 
 
CLASSES 

Na composição socioeconômica, a classe AB continuou a mais pessimista. Embora seja o grupo com maior poder compra, o noticiário negativo tem agravado a percepção desses consumidores, que registraram em agosto um índice de confiança de 72 pontos (75 em julho).

Nas classes C, D e E a situação é semelhante: a falta de perspectivas acentuou o pessimismo desses grupos, que chegou a 82 pontos em agosto. No mês anterior, a classe C havia registrado 85 pontos. A DE, por sua vez, marcou 89.


*Foto: Thinkstock