Economia

Como a economia afeta os negócios nos distritos de São Paulo


Excesso de tributos, falta de segurança, consumo retraído. Eis a lista de problemas apontados por diretores superintendentes da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


  Por Wladimir Miranda 23 de Maio de 2018 às 08:00

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


As quinze distritais da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) ajudam a aproximar a entidade da realidade dos empreendedores espalhados pelas diferentes regiões da Capital paulista. Essa capilaridade é importante porque há contrastes enormes de Norte a Sul, de Leste a Oeste da cidade.

Nesta segunda-feira (21/05), os diretores superintendentes das distritais da ACSP apresentaram essa visão regional da economia em sessão plenária na sede da entidade.

Ricardo Granja, Diretor Superintendente da Distrital Sudoeste, recentemente nomeado Prefeito Regional do Butantã, lembrou que o maior problema de sua região é a falta de segurança.

“Fizemos um fórum na distrital recentemente para discutir o assunto. Percebo que a economia dá sinais de recuperação, mas o problema é a insegurança, que desestimula os comerciantes e a população de Pinheiros e bairros próximos”, disse.

PARA RICARDO GRANJA, DA DISTRITAL PINHEIROS,
PRINCIPAL PROBLEMA É A FALTA DE SEGURANÇA
NA REGIÃO

A retomada da economia, que começa a ser observada por Granja, ainda está longe de ser um alento aos comerciantes da região central da cidade. É o que afirma Luiz Alberto Pereira da Silva, diretor superintendente da Distrital Centro:

“A região central passa por um momento complicado. Muitas lojas estão sendo fechadas no Brás, no Bom Retiro e na Rua Santa Ifigênia. Enquanto não houver uma definição política, a economia não vai andar”.

O cenário também não é muito alentador para o representante da Distrital Penha, Roberto José Korsakas.

“Fizemos uma pesquisa com onze comerciantes. 65% deles acham que a situação está melhor, enquanto 35% acreditam que o cenário está pior. O que vemos por lá são muitos imóveis comerciais e residenciais vazios. Os nossos maiores problemas são a falta de segurança e a falta de crédito”, disse Korsacas.

A análise feita pelos diretores superintendentes das quinze distritais teve como ponto de partida um questionário elaborado por Marcel Solimeo, economista-chefe da ACSP e superintendente do Instituto de Economia Gastão Vidigal.

As questões tomaram por base o atual estágio da economia, em comparação com 2017, as expectativas para os próximos meses, e os principais problemas enfrentados pelos empresários em suas regiões de atuação.

MUDANÇA DE PERFIL

A Mooca, segundo o seu diretor Luís Carlos Castan, mostra um crescimento no setor comercial. O bairro agora é uma referência de bons restaurantes e bares.

“Quem mora na Mooca não precisa mais sair do bairro para se divertir num bar de bom nível ou para comer em um ótimo restaurante. O setor imobiliário também está crescendo. Edifícios de alto padrão estão sendo construídos no bairro e as vendas de imóveis estão em alta”, disse ele.

Mesmo distante do centro da Capital, no extremo Leste, Cidade Tiradentes, na avaliação do representante da distrital, não tem queixas a fazer. Segundo a pesquisa feita com os comerciantes locais, a situação está melhor para 46% dos entrevistados.

“Pelas minhas observações, percebo que está difícil encontrar imóveis para alugar na região. Ou seja, o setor imobiliário está mostrando sinais de recuperação”, afirmou Claudionor Corrêa Leão.

Em duas horas de reunião, presidida por Roberto Mateus Ordine, vice-presidente da ACSP, o que se revelou foi um retrato fiel da conjuntura econômica do país -que afeta diretamente os bairros englobados pelas distritais, seus comerciantes, prestadores de serviços e suas industrias.

Ordine ressaltou que “se não tivermos empresas e empreendedores fortes não haverá o aumento de vagas no mercado de trabalho”.

Para fortalecer as empresas, entretanto, Giacinto Cosimo Cataldo, vice-presidente e coordenador-geral das sedes distritais, lembrou na necessidade de redução da carga tributária.

PARA CATALDO, VICE-PRESIDENTE DA ACSP, SEM REDUÇÃO
DA CARGA TRIBUTÁRIA AS EMPRESAS NÃO CRESCEM

“Todo mundo tem problemas com os impostos. A situação é de muita dificuldade. Os empresários não aguentam mais. E eu, sinceramente, temo pela volta do aumento da inflação”, alertou Cataldo.

Para João Bico, vice-presidente e coordenador-geral das distritais, a retomada da economia vai depender muito do resultado das próximas eleições. Ele falou da importância de os próximos governantes darem continuidade a agenda de reformas.

ESTAVA TÃO RUIM QUE PARECE BEM MELHOR

No encerramento da sessão plenária, o economista Marcel Solimeo disse que o panorama da economia, na média, está melhor do que no ano passado.

“É que estávamos tão ruins, que a sensação é de que não melhorou”, afirmou. Segundo o economista-chefe da ACSP, a inflação não vai disparar.

“Não acredito que o dólar vá chegar aos R$ 5,00. O Banco Central tem armas para conter o aumento do dólar. Penso que o dólar só vai disparar e ficar fora do controle se houver um cenário político muito ruim, catastrófico”, afirmou.

Marcel Solimeo traçou um cenário realista. “Precisamos de muito esforço para chegar à mediocridade. O país deu um passo. Agora, se crescermos 2% este ano será razoável”, concluiu.

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