Economia

Comércio paulista tem o pior semestre desde o início do Plano Real


Apesar da forte retração, os dados mensais mostram uma reação. "O pior já passou", afirma Emílio Alfieri, economista da ACSP


  Por Estadão Conteúdo 07 de Julho de 2016 às 09:34

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O comércio varejista fechou o primeiro semestre com o pior desempenho para o período desde o início do Plano Real.

Dois indicadores, que acompanham o pulso das vendas em São Paulo e no país, mostram um desempenho muito ruim no período como um todo, apesar de, a cada mês, as quedas terem sido menos acentuadas.

O tombo no volume de vendas entre janeiro e junho deste ano foi 11,1% na cidade de São Paulo comparado com os mesmos meses de 2015, de acordo com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Foi a maior retração desde 1995. Nem na última recessão que a economia brasileira enfrentou em 2009 a queda foi tão forte. No primeiro semestre daquele ano, o varejo paulista encolheu 7,7% ante o mesmo período de 2008.

Nas contas da Serasa Experian, a atividade do comércio no país recuou 8,3% no primeiro semestre deste ano. Foi o pior resultado da série do Indicador de Atividade iniciada em 2001.

A queda registrada no primeiro semestre de 2016 supera até mesmo o recuo de 6,9% observado no primeiro semestre de 2002, época em que o país vivia a "Crise do Apagão".

Desemprego em alta, confiança ainda em níveis muito baixos e crédito caro e escasso explicam,de acordo os economistas das duas entidades, o fracasso do varejo no semestre.

Luiz Rabi, economista da Serasa Experian, lembra que em 2009 o país saiu da recessão por causa do impulso dado ao consumo. "Desta vez é diferente: temos desemprego de dois dígitos, 60 milhões de brasileiros com o nome sujo e não há perspectiva de redução de juros."

Os dados da Serasa Experian mostram que os setores do varejo mais afetados no primeiro semestre deste ano foram o dependentes de crédito. Tanto é que as vendas de carros, seguidas por itens de vestuário e eletroeletrônicos, tiveram retrações de 17%, 13,9% e 13,3%, respectivamente, no semestre.

Já nos supermercados, onde os negócios dependem mais da renda, o recuo foi menor, de 7,5%. O único segmento cujas vendas avançaram no período foi o de combustíveis, que cresceu 4,3%.

FUNDO DO POÇO 

Apesar da forte retração no primeiro semestre como um todo, os dados mensais mostram uma reação. Os economistas acreditam que o fundo do poço da atividade do comércio foi na virada do primeiro para segundo trimestre.

Em abril, o Indicador de Atividade do Comércio da Serasa caiu 9,5% em relação ao mesmo mês de 2015. Em maio, a queda foi de 8,3% e encerrou junho com retração de 6,7%.

"O pior já passou", diz o economista da ACSP, Emílio Alfieri. Em junho, por exemplo, o movimento de vendas em São Paulo caiu 1,5% sobre o ano anterior. Essa retração foi atenuada pelo avanço das consultas para vendas a prazo, que cresceram 1,6% em bases anuais, enquanto a vendas à vista recuaram 4,6% no período.

Apesar dessa reação, Alfieri acredita que a atividade bateu no fundo poço, mas ainda não saiu dele. Ele observa que a recuperação é seletiva, isto é, está sendo puxada por itens sazonais, como aquecedores, chuveiros e artigos de vestuário por causa do frio.

Também o economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fabio Bentes, separa a reação do varejo em dois grupos. Para a venda de bens duráveis e dependentes de crédito, ele não enxerga uma reação, diante de juros elevados e do calote em alta. "A queda é menor em termos de taxa, mas o faturamento não para de piorar."

Já no caso dos supermercados, por conta do arrefecimento da inflação de alimentos e pelo fato de vender itens essenciais, é possível acreditar que o pior já tenha passado.

NO VERMELHO 

"Estávamos num inverno de menos 30 graus Celsius e agora estamos com uma temperatura de menos 25", compara Rabi, fazendo referência a taxas negativas ao longo dos meses.

No entanto, ele projeta que o comércio varejista feche este ano no vermelho, com queda de 6% em relação a 2015. Se a projeção se confirmar, será o pior resultado anual da série do indicador do comércio iniciada em 2001.

Para este ano, a CNC projeta queda de 4,8% nas vendas do varejo restrito, que não incluem veículos e materiais de construção, e retração de 9,4% para o varejo ampliado. No ano passado, as vendas do varejo restrito, de acordo com o IBGE, encolheram 4,3% e o varejo ampliado teve recuo de 8,6%.

FOTO: thinkstock 





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