Economia

Comércio global crescerá em ritmo mais lento este ano


Avaliação é de Roberto Azevêdo, presidente da OMC, que cita o “sentimento antiglobalização” e o Brexit como alguns dos fatores de desaceleração do setor


  Por Redação DC 27 de Setembro de 2016 às 12:11

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


A Organização Mundial do Comércio (OMC) prevê que o comércio global crescerá em um ritmo mais lento em 2016. A expansão estimada é de 1,7% e está bem abaixo das projeções de abril, quando chegou a 2,8%.

Com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, a soma de todas as riquezas, estimado em 2,2% neste ano, se confirmadas as previsões, seria o pior resultado desde o auge da crise financeira internacional, em 2009.

A previsão para 2017 também foi revista para baixo e a expectativa agora é de um crescimento que pode variar entre 1,8% e 3,1%, ficando abaixo dos 3,6% estimados anteriormente.

A contração, informa a OMC, foi impulsionada pela desaceleração do crescimento do PIB e do comércio nas economias em desenvolvimento, como a China e o Brasil, mas também das importações dos Estados Unidos.

A OMC destaca que as estimativas de crescimento das exportações em 2016 foram reduzidas para a maioria das regiões, com ênfase para a Ásia (0,3% ante 3,4% em abril) e América do Norte (0,7% contra 3,1%).

Enquanto isso, as exportações da América do Sul deverão crescer acima do previsto anteriormete (4,4% em comparação a 1,9%).

"SENTIMENTO ANTIGLOBALIZAÇÃO"

De acordo com a entidade sediada em Genebra, responsável por garantir o cumprimento de regras que governam o comércio global, este ano o comércio mundial crescerá ao ritmo mais fraco desde a crise financeira global, o que deve servir como um "alerta", diante do crescente movimento contra a globalização..

“Isso é particularmente preocupante em um contexto de crescente sentimento antiglobalização”, afirmou Roberto Azevêdo, diretor-geral da OMC.

Segundo Azêvedo, é preciso evitar políticas que acabem por tornar a situação pior, "não apenas da perspectiva do comércio, mas também da criação de empregos e do crescimento econômico e do desenvolvimento, que estão tão intimamente ligados a um sistema comercial aberto".

A OMC disse que cortou sua projeção em resposta ao fraco crescimento do comércio em China, Brasil e na América do Norte, durante o primeiro semestre do ano.

A organização advertiu ainda que o crescimento do comércio pode se mostrar ainda mais fraco que o previsto nos próximos anos.

Como riscos, a OMC menciona a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia, que gera incertezas sobre os arranjos comerciais futuros na Europa. 

FOTO: Thinkstock / *Atualizada às 15h29