Economia

Com crise do petróleo, país deixará de gerar R$ 62 bilhões em renda


Estudo da UFRJ mostra os impactos da queda dos investimentos das empresas petrolíferas na economia. Os problemas do setor contribuirão para degradar ainda mais o emprego e a renda


  Por Renato Carbonari Ibelli 03 de Novembro de 2015 às 13:00

  | Editor ibelli.dc@gmail.com


A redução dos investimentos das empresas do setor do petróleo pode causar um forte impacto no emprego e na renda do país, aponta estudo feito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

De acordo com o levantamento, se não houver uma reversão dos preços da commodity, o Brasil deixará de gerar R$ 62 bilhões em renda até 2019. 

Na última década a indústria petrolífera expandiu fortemente no país, aquecendo economias das cidades próximas aos campos de petróleo.

No entanto, a partir de 2014 os preços do barril desvalorizaram drasticamente, despencando de US$ 110, no primeiro trimestre de 2014, para US$ 50, na cotação de agosto de 2015.

O impacto dessa desvalorização do barril foi potencializado no Brasil pelos problemas de ingerência e corrupção na Petrobras, o que prejudicou toda a cadeia nacional do petróleo. Diante desse quadro, as empresas do setor revisaram seus investimentos. 

O montante de investimento anunciado pelas empresas em 2015 reduziu de US$ 236,7 bilhões para US$ 130,3 bilhões, uma queda de 45%.

Esse recuo, segundo o estudo da UFRJ, vai implicar na redução de 26% da geração de vagas de empregos no setor nos próximos cinco anos, o equivalente a 167.829 postos a menos.

Embora no começo do ano o setor de petróleo tenha recuperado algumas vagas de emprego perdidas ao final de 2014, esse movimento não se sustentou. A partir de fevereiro, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o número de demissões passou a superar o de admissões. 

Em agosto, o segmento de Exploração e Produção (E&P) de petróleo acumulou 374 postos de trabalhos a menos em relação a julho do mesmo ano. Foi o segmento que perdeu mais vagas, seguido pelo segmento de Midstream (refino do petróleo), que eliminou 118 vagas. Já o segmento de Downstream (distribuição e comercialização) criou 36 novas vagas, insuficientes para compensar as perdas.

No acumulado do ano, até agosto, o saldo do setor de petróleo está negativo em 822 vagas.

IMPACTO REGIONAL

A crise do setor de petróleo tem impacto direto na distribuição dos royalties gerados pela exploração da commodity. Os royalties são valores pagos pelas empresas produtoras de petróleo e distribuídos entre os Estados e municípios. 

A arrecadação de royalties do setor recuou 25% no primeiro semestre de 2015, quando comparado a igual período de 2014, passando de R$ 12,32 bilhões para R$ 9,20 bilhões.

Um dos estados mais afetados pela redução da arrecadação de royalties foi o Rio de Janeiro. Em agosto de 2015, o repasse para o estado foi de R$ 200 milhões, o que representou R$ 69 milhões a menos do que o mesmo período de 2014, pelos dados do estudo da UFRJ.

A situação de alguns municípios do Rio de Janeiro, como o de Macaé, considerada a capital do petróleo, hoje é preocupante. Em 2015, a prefeitura de Macaé vai deixar de arrecadar R$ 120 milhões em royalties. Mas a decadência da cidade não se explica apenas pelo efeito da queda desse repasse. 

Macaé é um exemplo de cidade que cresceu em torno do setor do petróleo. Empresas se instalaram no município para dar suporte à exploração, gerando empregos, estimulando o comércio local e atraindo novos moradores. 

No entanto, com a crise no setor, quem apostava em investir na cidade desistiu, fazendo a economia local naufragar.  

 

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Imagem: Thinkstock

 







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