Economia

Classe média só voltará ao patamar de 2014 em seis anos


A previsão é que a classe A recupere os rendimentos mais rapidamente, de acordo com projeções da consultoria Tendências


  Por Estadão Conteúdo 12 de Novembro de 2017 às 14:30

  | Agência de notícias do Grupo Estado


Só daqui a seis anos, em 2023, a classe média terá recuperado o patamar de participação que alcançou em 2014, quando 28% dos lares brasileiros tinham renda mensal de R$ 2.302 a R$ 5.552.

As projeções, realizadas pela Tendências Consultoria Integrada, fazem parte de estudo que analisa a evolução de famílias e renda entre as classes no Brasil até 2026, a partir de dados do IBGE.

Para Adriano Pitoli, um dos economistas responsáveis, o quadro se deve ao fim do crescimento econômico puxado por consumo e pelo setor de serviços.

"Este avanço, que empregava principalmente mão de obra pouco qualificada, não tem mais espaço. No médio prazo, provavelmente haverá uma dinâmica mais concentradora de renda".

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A previsão é que a classe A recupere os rendimentos mais rapidamente nestes primeiros anos.

Enquanto a renda total da classe C vai crescer a uma média anual de 2,3% até 2026, a velocidade entre os mais ricos será de 4,1%, e de 3% para os rendimentos totais. Entre 2003 e 2014, a renda da classe média crescia cerca de 6% ao ano.

Educação não revertida em produtividade, acesso ao crédito encurtado e fraco ambiente de negócios são listados pelo economista Marcelo Neri como entraves à retomada do antigo crescimento da classe média.

Diretor da FGV Social, o economista foi responsável por cunhar o termo "nova classe média", em 2008. "Nossa situação fiscal não comporta um empurrão na classe C por meios tributários", diz.

Para Neri, o governo precisa enfatizar a necessidade das reformas e se firmar como agente regulador, e não como um órgão que repassa recursos públicos para a população.

FOTO: Alex Silva/Estadão Conteúdo