Economia

"Brasil terá muito a mostrar em Davos em 2018"


Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco, prevê que o país estará crescendo 2,3% em julho do ano que vem em relação a 2017


  Por Estadão Conteúdo 18 de Janeiro de 2017 às 10:43

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Cheio de previsões otimistas para o Brasil, como expectativa de inflação abaixo do centro da meta e crescimento de 2,3% anualizado em julho do ano que vem na comparação com igual período deste ano, o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, disse que as projeções feitas durante o Fórum Econômico Mundial de Davos no ano passado nem de perto se concretizaram.

"Um ano atrás, quem brilhava nos corredores aqui era o ex-primeiro-ministro inglês David Cameron. Quem imaginava que ia acontecer o Brexit?", disse sobre o referendo britânico que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia, levando à renúncia de Cameron.

Para o principal executivo do Bradesco, os sinais passados na edição anterior do evento não foram verificados, como petróleo cotado a US$ 20 e minério de ferro a US$ 27.

"Me impressionei na ocasião porque o estoque de crédito da cadeia de óleo e gás é tão intenso que o custo da dívida seria maior do que a geração de caixa. Um ano depois, o minério está a US$ 70 e o petróleo, acima de US$ 60." Ele disse ainda que Donald Trump não era assunto nos painéis nem a volta do populismo.

No Brasil, houve, de acordo com ele, uma mudança de quase de 180 graus no modelo econômico.

"A economia era baseada na oferta e em parâmetros não adequados e, com o governo Temer, foi possível voltar a conceitos básicos. É surpreendente ver o alinhamento entre Meirelles e Ilan", disse, citando o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn.

Para ele, há cinco anos o país tinha dois comandantes da economia, além do Planejamento, e com formas diferentes de trabalho.

"As políticas não tinham sintonia e isso redundou em um custo enorme para o Brasil. O país tem condições de voltar a Davos em 2018 com muitas coisas a mostrar. Aqui tive a convicção de que o investidor não abandonou o Brasil. O que quer é coerência para continuar investindo. O mercado estabeleceu um risco muito razoável para o Brasil e o dólar reflete isso."

Participante de um almoço do governo com investidores, Trabuco relatou que foram muitas as perguntas a Meirelles sobre a efetividade da reforma da Previdência.

"O governo apresentou uma proposta de reforma necessária, porque a possível é sempre um remendo, mas a necessária foi provocada e isso vai fazer preço no mercado e reduzir o custo Brasil e renovar a confiança do investidor no país. O Brasil é uma boa aposta."

Alinhado com o discurso do governo, a avaliação do presidente do Bradesco é a de que o país está saindo do processo recessivo.

"O segundo semestre vai surpreender. Quando chegar a julho de 2018 e comparar com julho de 2017, o Brasil estará crescendo acima de 2,3%. Chegamos ao fundo do poço, mas não tinha armadilha porque o diagnóstico do ajuste fiscal foi feito. O mercado vai precificar favoravelmente o país."

Para ele, também é um sinal positivo a aceleração do afrouxamento monetário feito pelo BC. Trabuco acredita que a inflação está ancorada e deve surpreender, ficando abaixo de 4,5% este ano.

Imagem: Thinkstock