Economia

Brasil sofre com demanda retraída e não a falta de crédito, diz Levy na Turquia


Presente ao encontro do G20 com Dilma Roussef, o ministro da Fazenda atribui a crise ao clima de incerteza que contaminou a economia do país


  Por Estadão Conteúdo 15 de Novembro de 2015 às 19:25

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, rejeita a avaliação de que o problema da economia seja a oferta de crédito e, por isso, o receituário usado após a crise de 2008 não seria eficiente para melhorar as condições do Brasil. "A situação de hoje é distinta de 2008", disse, ao ressaltar que o problema não é a falta de financiamento, mas sim a demanda retraída. 

A posição do ministro rebate a ação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defende nos bastidores a maior oferta de crédito como primeiro passo para a retomada da economia.

"A situação de hoje é distinta de 2008. Não há problema de oferta de crédito. O problema é normalização a economia", disse. "Hoje, não temos nada disso. É preciso estabelecer as condições de demanda", explicou. Levy lembrou que, entre outubro de 2008 e o início de 2009 "todo mundo estava parado mesmo com os juros mudando". O ministro explicou que, na época, a economia não avançava porque havia incertezas sobre a situação dos bancos. O crédito só voltou a fluir quando diminuíram as incertezas.

Por isso, Levy diz que é preciso reduzir as incertezas para que os demais aspectos da economia voltem a fluir. "Não tem nada de errado na economia brasileira. As famílias brasileiras não têm grande alavancagem e as empresas não têm grande alavancagem. O governo tem um pouquinho, mas está se cuidando" disse.
"Há países que têm grande alavancagem. O Brasil não tem. Então, quando você conserta, a resposta é rápida", disse. 

Nos últimos meses, Levy tem defendido o chamado "Plano 123" que consiste em 1) Orçamento mais robusto; 2) Retomada da demanda e 3) Expansão da oferta. Nessa caminhada, o ministro disse que o Brasil "está no 0,7". "Ainda não acabamos o 1, mas estamos trabalhando em outras coisas, como o lançamento do plano de energia e logística", disse. "Estamos trabalhando em paralelo no número 1 enquanto preparamos o número 3".

Imagem: Agência Brasil