Economia

'Brasil só volta a crescer em 2018'


José Galló (foto), presidente da Renner, diz que vai analisar os investimentos com maior cautela


  Por Estadão Conteúdo 09 de Dezembro de 2015 às 16:11

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O presidente da Lojas Renner, José Galló, traçou um cenário bastante pessimista a um grupo de empresários nesta quarta-feira (09/12), na capital gaúcha.

A economia brasileira, diz ele, só vai se estabilizar no segundo semestre de 2017, e a retomada do crescimento deverá começar em 2018, independentemente do desfecho da crise política.

"Eu não vendo ilusões. Não adianta dizer que vai melhorar em 2016 porque não vai", afirmou em evento na sede da Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul).

Para justificar a previsão, Galló citou uma série de fatores conjunturais, como os indicadores de confiança em níveis historicamente baixos, o déficit público e a trajetória de alta do desemprego.

De acordo com ele, a retomada não se dará pelo consumo, o que indica que o varejo tem um longo caminho a percorrer.

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"A possibilidade de crescimento é infraestrutura, que significa estradas, aeroportos, portos, indústria de base. Só que as maiores empreiteiras do Brasil responsáveis por isso estão paradas", afirmou.

Galló também disse que 70% da crise econômica atual é derivada da crise política. O executivo criticou a atuação dos agentes públicos, que, segundo ele, não estão pensando no Brasil.

"Está na hora dos políticos que estão lá na colina de Brasília olharem o que está acontecendo aqui na planície. A gente vê uma irracionalidade brutal, contradições, interesses pessoais", afirmou.

Ele defende a necessidade de gerar quatro ou cinco medidas capazes de destravar a economia, e não acredita que o processo de impeachment possa mudar a perspectiva ruim para os próximos anos, independentemente do seu resultado. A percepção é de que o problema está dado e que só uma "grande união nacional" poderia amenizar o estrago.

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A crítica de Galló também se estende ao empresariado. "Acho que também nós, empresários, estamos um pouco calados com relação a isso (crise). Não estamos mostrando claramente como são as coisas. Acho que é hora de o empresariado assumir uma atitude mais proativa numa situação como esta", disse.

INVESTIMENTOS

Galló reconheceu que, apesar de a Renner ter mantido uma trajetória de crescimento em 2015, deverá ser mais cautelosa no ano que vem em termos de desembolso.

"Eu diria que nós vamos analisar os investimentos com mais cautela. É próprio de um momento como este você priorizar a liquidez da empresa", disse.

Segundo ele, a companhia vai fechar 2015 com a abertura de 28 lojas da Renner, 10 da Camicado e 12 da Youcom. Com isso, as três marcas do grupo totalizam 380 lojas no Brasil - 275 da Renner, 68 da Camicado e 37 da Youcom.

RECUPERAÇÃO

Galló traçou um panorama pessimista para empresários gaúchos e disse esperar uma recuperação do varejo e da economia brasileira somente em 2018. Apesar da crise, ele acredita que há oportunidades para as empresas que tiverem um diferencial competitivo.

Ele lembrou que, com o dólar alto, as famílias viajam menos, o que tende a aumentar as vendas nas lojas no Brasil. "As pessoas fazem menos enxoval infantil lá fora, compram mais cosmético aqui".

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De acordo com o executivo, o cenário caracterizado por inflação alta, demanda reprimida e maior competitividade aponta para uma aceleração do processo de consolidação do mercado de varejo de moda no Brasil.

"O segmento brasileiro de vestuário é muito fragmentado. Nós, os cinco maiores operadores de vestuário, temos cerca de 14% do mercado, enquanto os cinco maiores operadores de eletrodomésticos têm 50% e os cinco maiores operadores de supermercados têm 50% também. Não vejo 50% para a gente (no vestuário), mas acho que 22% ou 25% para os cinco maiores é possível de se pensar. É uma questão de tempo."

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Foto: Estadão Conteúdo






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