Economia

Brasil será mais importante para Reino Unido após Brexit


Embaixador britânico diz que houve aumento de investimentos em fundos bilaterais, para pesquisa e também o fundo de prosperidade


  Por Estadão Conteúdo 18 de Julho de 2016 às 16:55

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O embaixador britânico no Brasil, Alex Ellis, afirmou que o Brasil será ainda mais importante para o Reino Unido após o referendo para a saída do país da União Europeia, evento conhecido como Brexit.

Em palestra na Associação Comercial do Rio de Janeiro, promovida pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), nesta terça-feira (19/07), ele disse que a saída do país do bloco da União Europeia abre perspectivas de ampliação de acordos comerciais com o Brasil, inclusive na área agrícola.

"O Brasil vai ser ainda mais importante em termos de economia, investimentos, educação, política, pesquisa etc. Essa é uma conclusão que na verdade o Reino Unido já chegou há alguns anos, por isso aumentou a presença no Brasil. Nós abrimos ano passado um consulado em Belo Horizonte. E elevamos também os investimentos em fundos bilaterais, para pesquisa e também o fundo de prosperidade. Foi um forte aumento da presença financeira e física", afirmou durante outro evento promovido pela Câmara Britânica de Comércio (BritCham).

Falando sobre um eventual acordo bilateral entre o Reino Unido e o Brasil, Ellis notou que logo após o referendo do Brexit o Itamaraty soltou uma nota afirmando querer reforçar os laços com os britânicos.

Ele lembrou ainda que por enquanto o Reino Unido continua sendo membro da UE e, assim, não pode negociar acordos bilaterais com outros países. O embaixador também disse que o governo britânico pretende realizar um evento "Brasil week" no país no próximo ano, para reforçar os elos bilaterais.

ACORDOS NA ÁREA AGRÍCOLA

Nesta terça-feira (19/07) o embaixador disse que o primeiro passo será “abrir as negociações entre Reino Unido e União Europeia”. A saída do Reino Unido da UE tem de ser negociada e, depois, ratificada, o que deverá durar cerca de dois anos.

O embaixador afirmou que a vitória do Brexit (abreviação de Britain, que significa Grã-Bretanha, e exit, que designa a saída do Reino Unido do bloco europeu), levanta possibilidades em termos de comércio com terceiros. Advertiu, no entanto, que “tudo pela frente é especulação”.

Alex Ellis disse que, ao mesmo tempo, “temos de ver as oportunidades para nossa vida pós-União Europeia. O Brasil é um dos países que temos interesse em reforçar os laços comerciais. Mas terá de ser passo a passo. Há vários países pedindo para fechar acordos conosco, mas temos de priorizar, pensar. É claro que o Brasil é muito importante para nós. Espero que nos próximos dez anos possamos até aumentar nossas relações”.

Conforme Ellis, informaram que o Reino Unido será mais liberal em relação a uma política agrícola separada da União Europeia. Acrescentou, porém, que as consequências do Brexit ainda são desconhecidas.

O embaixador lembrou que, na área agrícola, o Reino Unido tem produtores também na Escócia e Irlanda “e não sabemos como eles vão reagir” a uma eventual política de menor protecionismo. “Parece que será mais liberal, mas temos de aguardar”. Admitiu que talvez seja mais interessante esperar que a União Europeia avance na direção de um acordo com o Mercosul para depois importá-lo para a legislação nacional.

Alex Ellis disse também que é difícil prever qual será a consequência do Brexit  sobre outros países do bloco europeu. Afirmou que quase todas as nações entraram na UE como um ato de afirmação e experimentaram crescimento com essa atitude. Segundo ele, o Reino Unido não experimentou nenhum boom de crescimento por entrar no bloco. “A associação da União Europeia com liberdade e prosperidade não existitu no Reino Unido, como ocorreu em todas as demais nações.”

O embaixador Marcos de Azambuja, conselheiro do Cebri, destacou que o Reino Unido não pode negociar nada enquanto ainda estiver dentro do bloco. Em relação à possibilidade de um acordo com o Brasil, admitiu que ficou mais fácil. “Todo acordo one a one é melhor do que um acordo com a UE, onde há 28 países com interesses divergentes. Todo acordo agrícola para o Brasil é necessário, mas para os outros é complicado, porque o Brasil é competitivo nessa área.”

A economista Lia Valls, da Fundação Getulio Vargas, concordou que o cenário ainda é muito incerto. “Não dá para afirmar nada”. Segundo ela, o Reino Unido terá de negociar com a União Europeia e depois ratificar sua saída do bloco, antes de pensar em negociar algum acordo com terceiros países. “Enquanto isso, fica uma situação de muita incerteza", concluiu. 

FOTO: Thinkstock

*Com Agência Brasil

Atualizado às 18h40 em 19/07