Economia

Brasil saberá lidar com efeito Trump na economia, diz Meirelles


Mas o discurso protecionista do vencedor das eleições norte-americanas preocupa o governo Temer


  Por Estadão Conteúdo 09 de Novembro de 2016 às 14:31

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, comentou nesta quarta-feira, 9/11, o resultado da eleição de Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos. "O Brasil está preparado para lidar com qualquer volatilidade dos mercados resultante das eleições presidenciais nos Estados Unidos", afirmou na nota. 

Meirelles disse ainda que o governo brasileiro está acompanhando a evolução dos principais indicadores econômicos e o possível impacto na projeção de cenários e dos efeitos para o crescimento, particularmente nas projeções para 2017.

Mais cedo, após encontro com Meirelles, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou que a autoridade monetária está monitorando os mercados globais e do Brasil e, se necessário, tomará as medidas adequadas.

COMÉRCIO EXTERIOR

Também nesta quarta, o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, afirmou que as relações entre Brasil e Estados Unidos não deverão mudar com a eleição do candidato do Partido Republicano.

"São relações históricas, de longa data, e queremos crer que não deverá ter grandes alterações. É preciso que, dada a campanha que se teve nos EUA, a gente aguarde um pouco. Estamos na fase de observação", disse Pereira. 

Entretanto, Pereira admitiu que o discurso de Trump sobre protecionismo é uma preocupação. "É um tema que está sendo discutido na OMC, no G-20, nos Brics, e com a posição do presidente eleito dos EUA, o tema deverá ganhar mais relevância nas discussões nos organismos internacionais", disse.

Pereira também demonstrou confiança de que a negociação de acordos comerciais com os EUA deverá prosseguir. Segundo o ministro, o Brasil vinha negociando a ampliação de acordos com os americanos, mas as conversas foram suspensas por causa da eleição.

"São dois grandes países, que têm maturidade para discutir as suas relações e espero muito que a gente consiga avançar e não retroceder", afirmou Pereira.

Diante da perspectiva de elevação na cotação do dólar por causa da eleição de Trump, o ministro disse que o mercado cuidará do tema. "Uma parcela do setor produtivo brasileiro quer o dólar mais alto. Há uma parcela que quer o dólar mais baixo. O mercado vai cuidar desse tema", disse Pereira.

IMAGEM: Agência Brasil