Economia

Bolsonaro herda economia em marcha lenta


É hora de retomar o modelo de política econômica que deu certo, evitando cair na tentação populista de soluções aparentemente fáceis, mas, desastrosas, recomendam economistas da ACSP


  Por Instituto Gastão Vidigal 29 de Outubro de 2018 às 10:15

  | Da equipe de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


O próximo presidente, Jair Bolsonaro (PSL) herdará uma economia ainda em fase de lenta recuperação, que, para elevar a tração, necessitará de uma condução sensata da política econômica, reestabelecendo o chamado modelo do “tripé macroeconômico”, baseado em três alicerces fundamentais: meta de superávit fiscal primário, sistema de metas de inflação e taxa de câmbio flutuante.

Com relação à primeira base, corroída por anos sucessivos de irresponsabilidade fiscal, será de vital importância, além de cortar despesas desnecessárias, seja por conta da ineficiência, seja por conta da corrupção, realizar uma profunda reforma do sistema previdenciário, que seja ampla, geral e irrestrita.

Somente desse modo se poderá voltar a gerar saldos fiscais positivos, suficientes para pagar os juros da dívida do Governo e parte de seu valor total, estabilizando o crescimento de seu endividamento, que ameaça a solvência futura de suas contas.

Em termos do sistema de metas de inflação, será importante continuar assegurando a qualidade da política monetária, o que dependerá não somente dos profissionais chamados a integrar a presidência e as diretorias do Banco Central, como também do grau de independência técnica na determinação da taxa básica (Selic).

Seria bastante apropriado que essa independência adquirisse status formal, a partir de uma Lei aprovada para tanto, e não somente operacional como tem sido até aqui, dependendo da “vontade” do governante de turno.

Por sua vez, a política cambial deveria continuar sendo norteada pela manutenção do regime flutuante, a partir do qual a taxa de câmbio varia de acordo com as entradas e saídas de moeda estrangeira no País, com intervenções esporádicas da autoridade monetária, quando suas flutuações sejam consideradas excessivas.

Na medida em que o Setor Público não gaste em demasia, haverá menor pressão sobre a inflação, o que, por conseguinte, demandará menores níveis para a taxa Selic, compatibilizando inflação baixa com maiores taxas de crescimento econômico.

A taxa de câmbio flutuante, além de funcionar como “preço” da moeda estrangeira, variando para equilibrar as contas externas, deixa a atividade econômica menos exposta aos altos e baixos da economia mundial.

O “tripé” macroeconômico, implementado no final do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, já provou sua eficácia durante quase uma década, até ser substituído pela política econômica desastrosa dos Governos Lula e, principalmente, Dilma.

É hora de retomar o modelo de política econômica que deu certo, evitando cair na tentação populista de soluções aparentemente fáceis, mas, desastrosas, ao final. 

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FOTO: Agência Brasil