Economia

BC perde quase R$ 90 bi para tentar conter a alta do dólar


Desde que começou a oferecer esse tipo de operação ao mercado, em 2002, nunca se viu um rombo tão grande para a autoridade monetária


  Por Estadão Conteúdo 06 de Janeiro de 2016 às 16:17

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Com a disparada do dólar no ano passado, o Banco Central registrou perda recorde com as operações de swap cambial (operação que equivale à venda de dólares no mercado futuro).

De acordo com dados atualizados pela instituição, o prejuízo com esses leilões em 2015 alcançou R$ 89,657 bilhões pelo resultado caixa e R$ 102,628 bilhões pelo competência.

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Desde que começou a oferecer esse tipo de operação ao mercado, em 2002, nunca se viu um rombo tão grande para a autoridade monetária. A maior perda anual com os leilões até então havia sido registrada em 2014, de R$ 17,3 bilhões.

O swap é uma arma que o BC possui para evitar volatilidade brusca no mercado de dólares

A instituição alega que o objetivo desse instrumento não é o de controlar a cotação da moeda, já que no país funciona o regime de câmbio flutuante. 

Em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado no fim do ano passado, o presidente do BC, Alexandre Tombini, chegou a argumentar a parlamentares mais críticos que isso tanto é verdade que o dólar teve valorização de mais de 30% em 2015.

O resultado das operações de swap por competência inclui ganhos e perdas ocorridos no mês, independentemente da data de liquidação financeira. 

A liquidação financeira desse resultado (caixa) ocorre no dia seguinte (o chamado D+1).

Ao longo de 2014, o BC teve perdas de R$ 17,329 bilhões com a oferta dessa operação de hedge (proteção) ao mercado. 

Em 2013, o BC acabou registrando prejuízo com os leilões de swap da ordem de R$ 1,315 bilhão. Já em 2012, entraram para o caixa da autarquia R$ 1,098 bilhão.

Apenas em dezembro, o BC teve perdas de R$ 7,794 bilhões com os leilões pelo resultado caixa. 

Essa marca diminuiu bastante, já que até uma semana antes do encerramento do mês, o prejuízo estava em R$ 20,5 bilhões. 

Pelo resultado competência, o rombo do BC ficou em R$ 4,205 bilhões no mês passado. 

Em setembro, as perdas somaram R$ 38,6 bilhões (resultado caixa), o maior volume mensal de prejuízo da instituição com esse tipo de operação desde 2002. Em setembro, mês em que o Brasil perdeu o selo de bom pagador pela primeira agência de classificação de risco, o dólar havia registrado alta de 9,39%.

RESERVAS INTERNACIONAIS

Em contrapartida ao prejuízo de 2015, causado efetivamente pelo comportamento do dólar, o BC obteve ganho de rentabilidade com a administração das reservas internacionais de R$ 18,367 bilhões em dezembro pelo mesmo motivo. 

Entram nesse cálculo ganhos e prejuízos com a correção cambial, a marcação a mercado (atualização diária do valor do ativo) e os juros. 

No ano, o lucro da instituição com as reservas está em R$ 443,664 bilhões. O resultado líquido das reservas, que é a rentabilidade menos o custo de captação, ficou positivo em R$ 3,000 bilhões no mês passado. No ano, o saldo segue positivo em R$ 259,973 bilhões.

Com isso, para o BC, o resultado das operações cambiais ficou no vermelho em R$ 1,204 bilhão em dezembro. 

Em novembro, os ganhos foram de R$ 2,486 bilhões. Em outubro, as perdas somaram R$ 30,437 bilhões. Em setembro, havia ficado no azul em R$ 66,595 bilhões. No ano, essa soma está positiva em R$ 157,345 bilhões.

O BC sempre destaca que, tanto em relação às operações de swap cambial quanto à administração das reservas internacionais, a autarquia não visa ao lucro, mas fornecer hedge (proteção) ao mercado em tempos de volatilidade e manter um colchão de liquidez para momentos de crise.

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