Economia

BC nega excesso de cautela nos cortes dos juros


Ilan Goldfajn, presidente do Banco Central, diz que não existe descompasso entre a queda da inflação e a redução da Selic


  Por Agência Brasil 10 de Janeiro de 2018 às 19:37

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


O Banco Central (BC) não atrasou os cortes de juros mesmo com a queda da inflação, disse nesta quarta-feira (10/01) o presidente do órgão, Ilan Goldfajn.

Segundo ele, foi justamente a cautela no ritmo de redução da taxa Selic (juros básicos da economia) que ajudou a segurar a inflação em 2017 ao influenciar as expectativas dos agentes econômicos e derrubar os preços dos serviços, que resistiam em cair em anos anteriores.

“Dizem que se a inflação ficou baixa, o BC poderia reduzir o juro mais cedo. Nossa visão é outra. Nossa atuação no começo é que propiciou a inflação mais baixa. Estou falando de expectativas, isso reduziu preços de serviços. Nossa visão não é que houve atraso, mas aquilo é que permitiu a inflação ficar baixa”, disse Goldfajn.

No ano passado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 2,95%, inferior ao valor mínimo de 3% estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Em 2015, o CMN tinha fixado a meta de inflação para 2017 em 4,5%, com 1,5 ponto percentual de tolerância, o que permitiria o índice ficar entre 3% e 6%.

A inflação começou a cair no segundo semestre de 2016, atingindo 2,46% no acumulado de 12 meses em agosto de 2017, o menor nível da história. A partir de setembro, o IPCA voltou a subir lentamente até encerrar o ano passado em 2,95%.

Paralelamente, o BC começou a cortar a Selic, que passou de 14,25% ao ano em outubro de 2016 para 7% ao ano no mês passado, no menor nível da história.

Os juros básicos são o principal instrumento de controle da inflação pela autoridade monetária e só são reduzidos se a autoridade monetária tiver segurança de que o barateamento do crédito não vai gerar aumentos de preços.

EXPECTATIVAS

Goldfajn reiterou que a inflação voltará a subir um pouco em 2018, devendo encerrar o ano próxima do centro da meta, de 4,5%. A última edição do Relatório de Inflação, divulgada pelo órgão em dezembro, projeta IPCA de 4,2% para 2018 e 2019. Para Goldfajn, a alta da inflação não representa uma ameaça ao poder de compra porque está relacionada à retomada da economia e ao crescimento do emprego.

Mesmo com a leve alta na inflação projetada para este ano, o presidente do BC assegurou que a autoridade monetária continuará trabalhando para manter os índices em níveis baixos.

“Para a população, a inflação caiu, e é como perder peso. Nosso objetivo é manter o peso menor. Vamos comemorar a queda e vamos trabalhar para manter a inflação baixa”, comentou.

IMAGEM: Agência Brasil