Economia

Banco Mundial prevê recessão de 2,56% para o Brasil em 2015


Neste ano, a economia do país só não vai encolher mais do que a da Venezuela. FMI prevê crescimento de 2,5% somente em 2020


  Por Estadão Conteúdo 06 de Outubro de 2015 às 19:14

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


A economia brasileira deverá ter recessão de 2,56% em 2015 e de 0,61% em 2016, estima o Banco Mundial, em relatório publicado nesta terça-feira (06/10), com projeções para a América Latina. Para o FMI (Fundo Monetário Internacional), o Brasil só volta a crescer 2,5% ao ano em 2020. 

As projeções do Banco Mundial mostram que o PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas do país) brasileiro terá o segundo pior desempenho da região, atrás apenas da Venezuela, que deverá registrar retração de 7,37% neste ano e de 3,75% em 2016.

Para a América Latina e a região do Caribe, o Banco Mundial espera um crescimento zero neste ano e uma expansão de 1,0% no ano que vem. A instituição diz, no entanto, que há uma "elevada incerteza em torno dessas projeções" para a economia latino-americana.

"Este seria o quinto ano seguido em que a região vem apresentando índices abaixo das expectativas iniciais, o que significa que novos fatores, principalmente internos, estão prolongando os efeitos das condições externas em processo de deterioração, em especial a acentuada desaceleração na China e a queda nos preços das commodities", afirma o banco.

Em 2015, a América Latina caminha para seu quinto ano consecutivo de desaceleração econômica, o que já causa um impacto negativo no mercado de trabalho, diz Augusto de la Torre, economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe.

"Mais recentemente, estamos observando uma deterioração na qualidade do emprego, na medida em que os trabalhadores assalariados se tornam autônomos e a mão de obra se transfere das grandes empresas para outras menores", disse.

Contudo, ressalta o economista, o que mais se destaca é o fato de que os trabalhadores também estão deixando o mercado de trabalho, uma propensão que é especialmente marcante entre os jovens com baixo nível de escolaridade.

"À medida que eles voltam para casa ou para a escola, sem um salário, a renda das famílias mais pobres poderá ser mais afetada", afirmou.

Segundo o relatório, os melhores desempenhos da América Latina serão vistos no Panamá (+5,90% em 2015 e +6,00% em 2016) e na República Dominicana (+5,00% em 2015 e +4,60% em 2016).

Na América do Sul, os destaques ficam por conta da Bolívia (+4,00% em 2015 e +4,10% em 2016), do Paraguai (+3,90% em 2015 e 4,00% em 2016) e da Colômbia (+2,85% em 2015 e 2,93% em 2016).

Além de Brasil e Venezuela, o Equador também deve ter recessão neste ano e no próximo, com retrações de 0,80% e 1,90%, respectivamente.

A Argentina terá crescimento de 0,67% em 2015 e expansão de 0,90% em 2016. Com a recuperação dos Estados Unidos, o México deve crescer 2,35% neste ano e 2,96% no próximo.

CRESCIMENTO SÓ EM 2020

Depois da pior recessão em 25 anos no Brasil em 2015 e nova contração esperada da atividade econômica em 2016, o FMI prevê que o país volte a crescer mais à frente, mas em um nível considerado modesto e abaixo da média dos emergentes. A previsão divulgada nesta terça-feira (06/10) é que o Brasil deve ter expansão de 2,5% em 2020.

O número é inferior à média dos países emergentes da Ásia, com previsão de expansão de 6,5% em 2020, da América Latina (+2,8%), dos emergentes da Europa (+3,4%) e da média geral destes mercados (4,5%).

A inflação brasileira deve convergir mais para o centro da meta do Banco Central nos próximos dois anos, mas, mesmo em 2020, o FMI prevê um número ainda ligeiramente acima da meta oficial, com o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em alta de 4,6% naquele ano, em comparação com uma meta de 4,5%.

Para crescer mais, a recomendação do FMI é que o Brasil faça reformas estruturais, em setores como educação e trabalho, e tome medidas adicionais para melhorar o ambiente de negócios, estimulando a melhora dos índices de confiança de empresários e consumidores, que passariam a investir mais.

Além disso, as reformas melhorariam a competitividade e a produtividade da economia brasileira.

FOTO: Thinkstock