Economia

Banco Central reduz taxa básica de juros para 7,5% ao ano


A taxa se aproxima de seu menor nível histórico, registrado entre outubro de 2012 a abril de 2013, quando foi mantida em 7,25% ao ano. Bancos privados informaram que irão repassar integralmente a redução em suas linhas


  Por Agência Brasil 25 de Outubro de 2017 às 18:58

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


Pela nona vez seguida, o Banco Central (BC) baixou os juros básicos da economia. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,75 ponto percentual, de 8,25% ao ano para 7,5% ao ano. A decisão era esperada pelos analistas financeiros.

Com a redução de hoje, a Selic iguala-se ao nível de maio de 2013, quando também estava em 7,5% ao ano. De outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi mantida em 7,25% ao ano, no menor nível da história, e passou a ser reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em julho de 2015.

Somente em outubro do ano passado, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia.

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA ficou em 0,16% em setembro, próximo da mínima histórica de 0,08% registrada em setembro do ano passado.

Nos 12 meses terminados em setembro, o IPCA acumula 2,54%, a menor taxa em 12 meses desde fevereiro de 1999. Até o ano passado, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelecia meta de inflação de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos, podendo chegar a 6,5%.

Para este ano, o CMN reduziu a margem de tolerância para 1,5 ponto percentual. A inflação, portanto, não poderá superar 6% neste ano nem ficar abaixo de 3%.

Para Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), o Comitê de Política Monetária do Banco Central acertou ao reduzir a taxa Selic.

“Foi uma decisão adequada. É um número que se aproxima dos recordes de baixa da Selic e, sem dúvida alguma, traz mais esperança aos investimentos, ao consumo e à economia como um todo. Esperamos que essa política prossiga nas próximas reuniões, levando a taxa básica de juros ao menor valor da história”, diz Burti.

INFLAÇÃO

No Relatório de Inflação, divulgado no fim de setembro pelo Banco Central, a autoridade monetária estima que o IPCA encerrará 2017 em 3,2%.

De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 3,06%, mesmo com os aumentos recentes nos preços dos combustíveis.

Até agosto do ano passado, o impacto de preços administrados, como a elevação de tarifas públicas; e o de alimentos como feijão e leite contribuiu para a manutenção dos índices de preços em níveis altos.

De lá para cá, no entanto, a inflação começou a cair por causa da recessão econômica e da queda do dólar.

CRÉDITO

A redução da taxa Selic estimula a economia porque juros menores barateiam o crédito e incentivam a produção e o consumo em um cenário de baixa atividade econômica.

Segundo o boletim Focus, os analistas econômicos projetam crescimento de 0,73% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos pelo país) em 2017.

A estimativa está em linha com o último Relatório de Inflação, divulgado em setembro, no qual o BC projetava expansão da economia de 0,7% este ano.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia.

Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação.

BANCOS

O Itaú Unibanco vai repassar o corte integral de 0,75 ponto porcentual na Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) para os juros de suas linhas de crédito para pessoas física e jurídica.

De acordo com nota do banco à imprensa, haverá redução nas taxas do empréstimo pessoal para pessoas físicas.

Já para as micro e pequenas empresas, o corte será nos juros nas linhas de capital de giro e cheque especial. Para veículos, o banco informa que já vem reduzindo ao longo do ano a taxa de financiamento, convergindo com a queda da Selic.

"As taxas cobradas variam de acordo com o perfil e histórico de relacionamento de cada cliente com o banco", acrescenta o Itaú, em nota.

O Bradesco também vai repassar o corte da taxa Selic nas suas principais linhas de crédito para pessoa física e jurídica.

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