Economia

Balança comercial registra melhor primeiro semestre da história


Nos seis primeiros meses do ano, o Brasil exportou US$ 36,219 bilhões a mais do que importou, alta de 53,1% em relação ao mesmo período de 2016


  Por Agência Brasil 03 de Julho de 2017 às 15:44

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


Beneficiada pela recuperação do preço das commodities (bens primários com cotação internacional), a balança comercial fechou o primeiro semestre com o melhor saldo da história para o período. 

Nos seis primeiros meses do ano, o Brasil exportou US$ 36,219 bilhões a mais do que importou. 

De janeiro a junho, o saldo da balança comercial acumula alta de 53,1% em relação ao primeiro semestre do ano passado. 

Somente em junho, as exportações superaram as importações em US$ 7,195 bilhões. O saldo é o melhor para o mês e o segundo mais alto para toda a série histórica, só perdendo para os US$ 7,661 bilhões registrados em maio deste ano.

Nos seis primeiros meses do ano, as exportações somaram US$ 107,714 bilhões, o quinto melhor primeiro semestre da história, com crescimento de 19,3% pela média diária em relação ao mesmo período do ano passado. 

As importações totalizaram US$ 71,495 bilhões, alta de 7,3% também pela média diária. 

Apenas em junho, o país exportou US$ 19,788 bilhões e comprou US$ 12,593 bilhões do exterior.

De acordo com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), o desempenho dos preços internacionais foi o principal fator que impulsionou o crescimento das exportações.

De janeiro a junho, os preços das mercadorias exportadas aumentaram 17,6%, em média, e a quantidade vendida subiu 1,8%. Em relação às importações, os preços tiveram alta média de 4,2%, e a quantidade aumentou 2,9%.

As vendas de produtos básicos registraram crescimento de 27,2% no primeiro semestre, com destaque para petróleo bruto (128,2%), minério de ferro (82,7%), carne suína (29%) e soja (20%). 

As exportações de semimanufaturados aumentaram 17,5%, impulsionada pelas vendas de semimanufaturados de ferro e aço (70,6%), ferro fundido (48,5%) e açúcar bruto (36,4%).

As exportações de manufaturados subiram 10,1%, com destaque para óleos combustíveis (122%), veículos de carga (59,2%), açúcar refinado (56,5%) e automóveis (52,8%). 

Na distribuição por mercados, os maiores crescimentos foram registrados nas vendas para a Ásia (27,3%) e para o Oriente Médio (25,4%).

A suspensão da importação de carne fresca brasileira pelos Estados Unidos ainda não teve impacto na balança comercial. 

As exportações de carne bovina encerraram junho com crescimento de 16,6% em relação ao mesmo mês do ano passado. As vendas de carne suína tiveram desempenho melhor: alta de 31,2% na mesma comparação.

ESTIMATIVA DE SUPERÁVIT COMERCIAL 

O crescimento nos preços internacionais e na quantidade exportada fez o governo aumentar a estimativa de superávit da balança comercial em 2017. A projeção passou de US$ 55 bilhões para US$ 60 bilhões, o que poderá garantir o melhor saldo da história para o país.

Entre os principais produtos que estão puxando o crescimento das exportações estão a soja, o ferro, o petróleo, o açúcar e os veículos.

No ano passado, o Brasil exportou US$ 47,5 bilhões a mais do que importou, o melhor superávit da história para a balança comercial. Inicialmente, o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços estimava que o saldo da balança encerraria 2017 com níveis parecidos aos de 2016. Posteriormente, a projeção foi revisada para US$ 55 bilhões.

Para justificar a melhoria da estimativa, Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estatística e Apoio à Exportação do MDIC, ressaltou o desempenho da quantidade exportada. Até maio, o volume das vendas externas acumulava queda de 0,8% em relação ao mesmo período de 2016. Em junho, o indicador reverteu a tendência e passou a registrar aumento acumulado de 1,8%.

Segundo Brandão, essa reversão deve-se principalmente ao crescimento nas quantidades embarcadas de três produtos em junho: soja, ferro e petróleo. 

“O aumento na produção de petróleo tem favorecido o aumento das exportações como um todo", disse Brandão. "Atualmente, o país está embarcando uma média de 1 milhão de barris por dia.”

Nos seis primeiros meses do ano, o valor das exportações de petróleo cresceu 128,2%, a maior alta entre os principais produtos vendidos ao exterior. A quantidade exportada aumentou 45,3%. O preço internacional subiu 57,1%.

IMAGEM: Thinkstock