Economia

Aumento na produção de veículos puxa alta de bens duráveis


Em fevereiro, A única queda na produção industrial veio dos bens intermediários, devido à contração da indústria extrativa, o que provavelmente deve refletir a queda na produção de minério de ferro


  Por Instituto Gastão Vidigal 05 de Abril de 2019 às 11:48

  | Da equipe de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


Segundo a Pesquisa Mensal da Indústria (PMI) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em fevereiro a produção industrial cresceu 2%, na comparação com o mesmo mês do ano passado (ver tabela abaixo).

Esse resultado pode ser avaliado como modesto, considerando-se que em 2019 o mês contou com dois dias úteis adicionais, pelo fato de o Carnaval ter sido realizado em março.

A fraqueza da recuperação do setor também pode ser apreciada no resultado acumulado em 12 meses, cuja expansão repetiu a leitura anterior (0,5%).

Na comparação com fevereiro de 2018, segundo as categorias de uso, três das quatro categorias mostraram expansão, com destaque para os segmentos de bens de capital e bens duráveis, impulsionados pelo aumento da produção de veículos.

A única queda veio dos bens intermediários, devido à contração da indústria extrativa, o que provavelmente deve refletir a queda na produção de minério de ferro, decorrente dos reflexos do rompimento da barragem de rejeitos de Brumadinho (MG).

Em síntese, a indústria continua mostrando lenta recuperação nos primeiros dois meses do ano, refletindo a queda na confiança dos empresários industriais, a baixa demanda interna, com a consequente acumulação de estoques, a crise argentina e a desaceleração do crescimento econômico mundial, que afetam negativamente as exportações de manufaturados e semimanufaturados.

A perspectiva para os próximos três meses é de oscilação, devido aos efeitos do calendário móvel de festividades e da menor base de comparação, fruto da greve dos caminhoneiros deflagrada em maio do ano passado.