Economia

As duas faces do dólar valorizado


A cotação da moeda norte-americana voltou a subir nesta terça-feira (13/10) para perto de R$ 3,90, o que é positivo para exportadores, mas um fator de pressão para quem precisa de insumos importados


  Por Redação DC 13 de Outubro de 2015 às 18:53

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Se o dólar em patamar ao redor de R$ 4 é bom para os exportadores, também traz impactos negativos aos produtores rurais que dependem de insumos fabricados fora do Brasil. O dólar alto pode pressionar a inflação de produtos domésticos, como os alimentos. 

O impacto positivo do dólar em patamar elevado aparece nos números da balança comercial.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), a balança comercial registrou um saldo positivo (superávit) de US$ 1,028 bilhão nas duas primeiras semanas de outubro, resultado de maior volume de exportações do que importações na comparação com o ano passado. 

Os produtos mais vendidos para o exterior, com alta de 8,2%, foram os básicos, como soja em grão, minério de cobre, milho em grãos, petróleo, fumo em folhas e pimenta em grão. Já as vendas dos produtos semimanufaturados caíram 9,6%. As exportações de manufaturados recuaram 3,4%. 

No ano, a balança comercial brasileira acumulou um saldo de R$ 11,276 bilhões. Não só o dólar mais caro, mas também o arrefecimento da atividade econômica contribuíram para a queda nas importações, que foi de 23,2% na média diária até a segunda semana de outubro. 

Um setor que precisa importar insumos e fertilizantes é o agronegócio, sobre o qual cresceram as pressões nos custos de produção em setembro, segundo a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul).

O impacto cambial, com o dólar acima de R$ 4, gerou aumento de 3,69%, de acordo com o Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP), medido pela entidade.

No acumulado do ano, o reajuste desse índice setorial (IICP) chegou a 11,04%, enquanto a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 7,64%. 

Nos últimos 12 meses, o IICP acumulou 15,70%, ante 9,49% do IPCA. O cenário preocupa a produção rural, porque tradicionalmente os preços costumam ser corrigidos no segundo semestre devido à sazonalidade dos custos. 

De acordo com a Farsul, o Índice de Inflação de Preços Recebidos (IIPR) também registrou alta de 4,96% em setembro, comparado ao mês anterior, por causa da variação cambial. 

Foi o terceiro mês consecutivo de altas expressivas. Com esse saldo, o acumulado do IIPR no ano chega a 12,77%, enquanto o IPCA Alimentos foi 7,56%, o que não ocorria desde dezembro de 2012. 

Apesar das dificuldades, o saldo comercial do agronegócio brasileiro, como um todo, foi de US$ 6,29 bilhões em setembro, resultado de vendas externas equivalentes a US$ 7,24 bilhões, ante compras de apenas US$ 954,93 milhões, segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

De acordo com a Secretaria de Relações Internacionais do ministério, a participação dos produtos do agronegócio no total das exportações brasileiras aumentou de 42,3%, em setembro de 2014, para 44,8% no mês passado.

DÓLAR VOLTA A SUBIR COM TURBULÊNCIAS

A valorização do dólar cedeu um pouco no começo de outubro, mas a cotação da moeda voltou a encostar em R$ 3,90 nesta terça-feira (13/10), desta vez por causa das incertezas em relação à crise política no Brasil e ao desempenho da China

O dólar comercial encerrou esta terça-feira (13/10) vendido a R$ 3,893, com alta de 3,58%. A cotação está no maior nível desde o dia 5 de outubro, quando tinha fechado a R$ 3,901. Apesar da alta de hoje, a divisa acumula queda de 1,81% em outubro. Em 2015, a alta chega a 46,4%.

Além das turbulências internas, o dólar subiu por causa de dados que mostram a desaceleração da economia chinesa. 

As importações da segunda maior economia do planeta caíram 17,7% em setembro na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Como o país asiático é o maior consumidor de matérias-primas do mundo, o recuo pressiona o dólar em países exportadores de commodities (bens primários com cotação internacional), como o Brasil.

FOTO: Thinkstock

*Com informações de Estadão Conteúdo e Agência Brasil