Economia

Aprovação da reforma da Previdência é uma possibilidade real, diz Meirelles


Se a reforma da Previdência não acontecer, o teto dos gastos não poderá ser cumprido: sobraria 20% do orçamento para todos os gastos, disse o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, em evento promovido pela B3


  Por Estadão Conteúdo 26 de Agosto de 2017 às 18:16

  | Agência de notícias do Grupo Estado


Apesar das dificuldades, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que a possibilidade de aprovação da reforma da Previdência é algo real.

"A trajetória do gasto com a previdência é insustentável", destacou, em sua apresentação no Congresso Internacional de Mercados Financeiro e de Capitais, organizado pela B3.

O ministro reforçou que é do interesse do País, dos parlamentares e dos eleitores que a reforma da Previdência seja aprovada, visto que, se nada for feito, ela irá ocupar, dia a dia, um espaço maior do Orçamento.

"A Previdência do Brasil é um ponto fora da curva do ponto de vista mundial", disse Meirelles em discurso. "O gasto com Previdência no Brasil é de 13% do PIB (Produto Interno Bruto), maior do que o de países como o Japão", continuou.

Com o crescimento do espaço da Previdência no Orçamento, se nenhuma reforma for realizada, o teto dos gastos não poderá ser cumprido. O ministro mostrou, ainda, que sem essa aprovação, sobraria 20% do orçamento para todos os gastos.

A respeito da discussão sobre possível esvaziamento da reforma da Previdência, o ministro disse que, idealmente, é que o texto a ser aprovado seja o mesmo que passou na Comissão Especial.

"Claro que existem medidas compensatórias", frisou, lembrando que o melhor é que a mudança seja constitucional, visto que dessa forma será mais difícil de haver alteração futura.

Plano B

Meirelles afirmou a jornalistas neste sábado que o governo não pode começar a falar em um plano B para a Previdência antes da votação da reforma no Congresso.

"O momento em que se terminar a votação é o momento que vamos olhar esta questão, o resultado, se há necessidade ou não de algum ajuste."

Em diversos momentos em seu discurso, no Congresso da B3, Meirelles frisou que há chances reais de o texto ser aprovado pelos parlamentares. Uma das principais dúvidas dos participantes do evento, e que foi passada ao ministro quando ele chegou em Campos do Jordão, é sobre a viabilidade da aprovação da reforma.

Para o ministro, se a reforma for deixada para o próximo governo, não será um desafio positivo para o novo presidente da República.

"As perspectivas para o próximo governo ficam muito melhores com a reforma aprovada", disse ele, ressaltando que o ideal é que o texto receba o aval do Congresso em um momento de recuperação da economia.

Meirelles ressaltou que o texto da Previdência aprovado na Comissão Especial gera 75% dos benefícios fiscais da proposta original do governo. O ideal, disse ele, é que o texto que for votado na Câmara mantenha este mesmo porcentual. "Ainda está em um nível bastante razoável."

O governo vai defender esta proposta de reforma da Previdência até o fim, disse Meirelles. Se forem necessárias outras medidas complementares, caso haja esvaziamento do texto, o ministro disse que o governo vai analisar, mas somente depois da votação.

"Não acho positivo e recomendável a gente começar a discutir hipóteses. Temos que dar uma mensagem muito clara: não se deve diminuir os benefícios fiscais gerados pela reforma."

Na apresentação para os investidores e gestores, Meirelles citou que a aprovação da reforma da Previdência e de outras medidas pode fazer o PIB do Brasil crescer na casa dos 4,5% na próxima década, considerando o cenário otimista.

No caso do PIB per capta, sem reformas, a expansão ficaria em 1,3% na próxima década e, com as reformas, em 3,1%. "É interesse de todos que essas reformas fundamentais e necessárias para o Brasil crescer mais sejam aprovadas agora", declarou o ministro.

6 MILHÕES DE VAGAS

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, destacou que a reforma trabalhista e terceirização, ambas aprovadas pelo Congresso, vão gerar ganho de eficiência na economia que pode levar à criação de 6 milhões de empregos em um período entre três a cinco anos.

Em entrevista a jornalistas, o ministro citou que a reforma trabalhista levará a uma redução das ações na Justiça do trabalho no Brasil. "Vamos ter possibilidade de diminuição muito grande de contingências e, gradualmente, também de custos."

A quantidade excessiva de processos trabalhistas trazia uma quadro de elevada incerteza jurídica para empresas que queriam operar no Brasil, ressaltou o ministro, citando uma empresa nos Estados Unidos, que tinha 27 ações trabalhistas e no Brasil tinha 25 mil, sendo que o número de funcionários era parecido nos dois países.

Na apresentação, Meirelles citou o exemplo da Alemanha, segundo ele o mais bem documentado sobre os benefícios da reforma trabalhista. No país, houve um "milagre do emprego" e a taxa de desemprego registrou forte queda.

FOTO: Agência Brasil