Economia

|Análise|Qual será o motor de crescimento em 2019?


Apesar da grande capacidade ociosa interna, ainda há enorme quantidade de recursos financeiros internacionais que podem ser canalizados para financiar novas iniciativas


  Por Instituto Gastão Vidigal 09 de Março de 2019 às 16:11

  | Da equipe de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


Após serem divulgados os decepcionantes resultados da atividade econômica no ano passado, os analistas de mercado reduziram suas projeções para 2019, o que em parte se explica pelo fato de que o pífio resultado da atividade no último trimestre do 2018 tende a “contaminar” sua evolução durante os próximos meses.

Fora esse efeito estatístico, porém real, quais poderiam ser os motores de propulsão da economia nesse ano que recém se inicia.

Do ponto de vista do gasto, o consumo das famílias, que continua a ser o elemento mais determinante, não apresenta perspectivas de intensa expansão, pois, o contingente de pessoas desempregadas e subempregadas continua muito elevado e, consequentemente, os salários crescem pouco acima da inflação.

Com o orçamento apertado, as famílias terão dificuldade em aumentar suas despesas de forma expressiva, que, em todo caso, serão beneficiadas pelo aumento da confiança do consumidor e pela maior concessão de crédito.

Por sua vez, a crise fiscal aguda vivida pelos Governos das três esferas administrativas impedirá qualquer expansão mais acentuada do consumo e do investimento públicos, enquanto o setor externo também deverá contribuir menos para a elevação da atividade, devido à desaceleração da economia mundial, e, em particular, em decorrência do menor crescimento da China e da crise econômica vivida pela Argentina.

Assim, o “motor” da expansão, pelo lado do gasto, recairá sobre os investimentos produtivos.

Apesar da grande capacidade ociosa interna, ainda há enorme quantidade de recursos financeiros internacionais que podem ser canalizados para financiar novas iniciativas, principalmente aquelas direcionadas a reparar e ampliar nossa sofrível infraestrutura.

No tocante à produção, os serviços, que seguem sendo o principal setor, ainda se ressentirão do alto desemprego e das baixas remunerações, prejudicando principalmente aqueles prestados às famílias, porém, poderão ser fortemente beneficiados pelos maiores investimentos produtivos, que demandarão mais serviços prestados às empresas, principalmente no caso dos transportes.
A produção industrial também poderá ser afetada positivamente pela maior demanda de máquinas e equipamentos dos investidores, o que fortalecerá sua recuperação.

A evolução dos investimentos dependerá crucialmente da realização de reformas, começando com a da Previdência, e se estendendo ao campo tributário e externo, entre outros, gerando um ambiente de maior certeza, auxiliando a manter a confiança dos empresários em patamares elevados.

Nesse sentido, uma frustração com o ímpeto reformador do Governo, e com a política econômica em geral, poderá provocar intensa reversão das expectativas, gerando, por terceiro ano consecutivo, baixo crescimento da atividade econômica.

CLIQUE aqui para ler na íntegra o Boletim de Conjuntura da ACSP