Economia

|Análise| O que virá depois das eleições


Seja qual for o cenário pós-eleitoral, a capacidade de expansão da economia a longo prazo exigirá um amplo conjunto de reformas estruturais, afirma o Boletim de Conjuntura da ACSP


  Por Instituto Gastão Vidigal 28 de Setembro de 2018 às 08:52

  | Da equipe de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


No momento, o País aguarda o desenlace de uma das eleições presidenciais mais incertas e fragmentadas da história recente.

Em consequência da incerteza, do elevado desemprego, do crédito ainda caro, do fraco crescimento da renda e da baixa confiança de consumidores e empresários assistimos à lenta recuperação da atividade econômica.

Terminado o pleito, contudo, independentemente de quem sair vitorioso, essa grande incerteza se dissipará, devolvendo o horizonte de planejamento para famílias e empresas.

Se o resultado for considerado satisfatório pelo mercado, deveremos presenciar redução na taxa de câmbio, aliviando as pressões de custos sobre os preços finais, permitindo ao Banco Central manter a taxa de juros básica (SELIC) num baixo patamar por mais tempo. Nesse caso, o Brasil, inclusive, poderá melhorar sua classificação de risco soberano.

Além disso, a confiança dos empresários deverá aumentar, o que, conjuntamente com o menor custo de capital, aumentará os investimentos produtivos e a geração de empregos.

Dado o grau de ociosidade da economia, não será difícil alcançar um crescimento econômico mais robusto no ano que vem.

Por outro lado, se o novo Presidente da República for menos comprometido com a realização de reformas estruturais, deveremos assistir a um cenário totalmente oposto, com disparada da taxa de câmbio, ao piorar a percepção de risco-país, elevando os custos das matérias primas importadas, o que resultará em maior pressão inflacionária, obrigando a autoridade monetária a elevar a SELIC em prazo mais curto.

Adicionando-se a esses efeitos o maior pessimismo em relação ao futuro por parte dos empresários, o resultado será a continuidade do lento crescimento da atividade.

De todo modo, seja qual for o cenário pós-eleitoral, a capacidade de expansão da economia num prazo mais longo, com vistas a tornar o Brasil um país desenvolvido passará necessariamente pela realização de um amplo conjunto de reformas estruturais: previdenciária, tributária, orçamentária, educacional e política, entre as principais, o que requer períodos mais longos do que os ciclos eleitorais para sua maturação e, principalmente, da existência de uma coalizão política mínima necessária para a sua aprovação.

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IMAGEM: Thinkstock