Economia

|Análise| Crescimento deve ser inferior ao de 2018


Para os economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), resultado do PIB para o primeiro trimestre não surpreendeu e só reforça a tendência de desaquecimento econômico


  Por Instituto Gastão Vidigal 30 de Maio de 2019 às 18:56

  | Da equipe de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) apresentou queda de 0,2%, durante o primeiro trimestre do ano, em comparação com os últimos três meses de 2018, livre de efeitos sazonais.

Foi a primeira contração desde 2016, porém não surpreendeu o mercado, dada a fraqueza dos indicadores divulgados até março. Houve crescimento, porém, em relação ao período janeiro-março do ano passado (0,5%) e no acumulado dos quatro trimestres, embora menos intenso, sugerindo perda de fôlego da recuperação da atividade econômica, que, no último caso se iniciou a partir do 4º trimestre de 2018.

Na comparação trimestral, pelo lado da demanda, o consumo das famílias, seu principal componente, cresceu 1,3%, pouco abaixo do observado em igual período do ano passado, refletindo o desemprego elevado, o baixo crescimento dos salários e os juros ainda elevados, apesar da manutenção da taxa básica em patamar reduzido.

No caso dos investimentos produtivos e em infraestrutura (formação bruta de capital fixo) houve forte desaceleração em decorrência da incerteza em relação à aprovação da reforma da Previdência e de outras medidas estruturantes, além do alto grau de endividamento das empresas. Também pesaram os cortes de despesas de investimento em infraestrutura por parte do governo, em função da crise fiscal.

Por sua vez, o consumo do governo, que corresponde basicamente às despesas com servidores nas três esferas governamentais, praticamente se manteve estável (0,1%) em relação ao quarto trimestre do ano passado.

As exportações continuaram crescendo, porém, de forma muito menos intensa (1,0%) devido à desaceleração da economia mundial e à crise argentina.

Apesar disso, a contribuição do setor externo à despesa total do País continuará positiva, pois, durante o mesmo período, também se registrou leve queda nas importações (-0,2%), em função da própria fraqueza da atividade econômica e da forte elevação do dólar.

Pelo lado da oferta, na mesma base de comparação, houve retração da indústria (-1,1%), afetada tanto pelas menores vendas no mercado argentino, como também pela redução da extração mineral, prejudicada pelo rompimento da barragem de Brumadinho. A fraqueza do setor construção também concorre para explicar essa retração.

A produção agropecuária apresentou leve queda (-0,1%), refletindo problemas de safra ocorridos no começo do ano, além da persistência dos danos causados pela greve dos caminhoneiros.

Por sua vez, o setor de serviços, principal segmento produtivo da economia, foi o único que apresentou expansão (1,2%) puxada principalmente por serviços de informação e comunicação e atividades imobiliárias.

Em síntese, o ano iniciou com a atividade econômica emitindo sinais de perda de ritmo ainda mais intensos, aumentando a possibilidade de terminar o ano com crescimento abaixo do registrado no ano passado (1,1%).

A melhora do resultado está fortemente condicionada à aprovação da reforma da Previdência, além de outras medidas que sejam capazes de aumentar a confiança de consumidores e empresários.

 

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