Economia

|Análise| As consequências da greve que atropelou a indústria


Para economistas da ACSP, a paralisação dos caminhoneiros em maio deixa sequelas e pode arrefecer o ritmo de recuperação do setor


  Por Instituto Gastão Vidigal 05 de Julho de 2018 às 07:38

  | Da equipe de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


Segundo o IBGE, em função da greve dos caminhoneiros, que afetou negativamente as cadeias de produção e suprimentos, a atividade industrial registrou em maio a maior queda mensal (-10,9%) desde dezembro de 2008 (-11,2%), quando se iniciou a crise financeira global.

Na comparação com o mesmo mês de 2017, o recuo foi de 6,6%, enquanto, em 12 meses, o setor continuou crescendo (3,0% - Ver tabela abaixo), porém abaixo do registrado na leitura anterior (3,9%).

Em relação a maio do ano passado, as quatro categorias econômicas registraram contração, com destaque para bens duráveis (-11,9%) e não duráveis (-9,1%), refletindo principalmente os efeitos adversos da paralização sobre a produção de automóveis e alimentos.

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Em síntese, a paralisação do transporte rodoviário foi a principal causa dos resultados negativos da produção industrial em maio.

Para junho, espera-se uma normalização da atividade industrial, porém alguns impactos negativos serão duradouros, podendo arrefecer a trajetória de recuperação desse setor durante 2018.

Entre eles, além das perdas bilionárias no segmento de abates de suínos e aves, se destaca a redução da confiança dos empresários, frente à fraqueza e inabilidade demonstradas pelo Governo durante as negociações com os grevistas, e à indefinição sobre a política de fretes.

IMAGEM: Thinkstock