Economia

Alta dos juros pesou mais sobre as micro e pequenas empresas


Pesquisa do Banco Central mostra que a elevação das taxas influenciou a procura de empresários por crédito. Em 2014, a queda nas concessões para os pequenos foi a maior desde 2011


  Por Redação DC 11 de Dezembro de 2015 às 18:49

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Uma pesquisa qualitativa trimestral do Banco Central confirma o que os micro e pequenos empresários já sentem na pele: a forte retração nas concessões de crédito pelos bancos desde o início da recessão econômica, no ano passado. 

A pesquisa, que coletou expectativas dos bancos a cada trimestre e as compara com a variação das novas concessões de crédito do trimestre seguinte, mostra que no final de 2014 houve retração de novos empréstimos para todas as empresas. 

Para os micro e pequenos, no entanto, apresentou o menor valor em toda a série histórica iniciada em 2011. A queda na concessão de crédito para esse segmento foi de 22,1%, a maior também observada no período em análise. 

A pesquisa revela que, do ponto de vista da oferta do banco, o que mais pesou no ano passado foi a condição específica das pequenas empresas, ou seja, a situação financeira particular delas, seguida pelo nível de inadimplência e a tolerância ao risco. 

O que determina a busca dos pequenos empresários ao crédito, de acordo com o estudo é, em primeiro lugar, a necessidade de capital de giro e de investir em ativos fixos - motivações idênticas às das grandes empresas. 

No entanto, o terceiro fator que mais influencia a busca de crédito pelo pequeno empresário é a alteração na taxa de juros.

"Isso evidencia, em parte, uma sensibilidade maior desse segmento a decisões de política monetária", informa a pesquisa, que integra o Relatório de Economia Bancária e Crédito do Banco Central, divulgado nesta sexta-feira (11/12).

O Relatório também mostra que o processo de expansão das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) continuou em ritmo moderado em 2014. 

No ano passado, de acordo com o documento, houve elevação das taxas de juros, acompanhada pela ampliação dos spreads, pela extensão dos prazos médios das contratações e pelos índices de inadimplência historicamente baixos.

O saldo das operações de crédito do sistema financeiro em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) atingiu 58,9%, ante 56%, em dezembro de 2013.

COMÉRCIO: MENOR TAXA DE CRESCIMENTO E MAIOR INADIMPLÊNCIA

A área do setor produtivo que mais recorreu a financiamentos no ano passado foi a de Indústrias de Transformação, com 27,8% do total, de acordo com o Relatório. Em segundo lugar, aparece o Comércio, com uma fatia de 19,2%.

"Ressalte-se também que, apesar de registrarem maior volume, esses dois setores, em relação aos demais, apresentaram as menores taxas de crescimento em 2014", trouxe o documento. 

No Comércio, o aumento nominal foi de 2,3%, o que equivale a uma queda real de 3,9% (descontada a inflação medida pelo IPCA). Na Indústria de Transformação, o incremento nominal de 4,0%, correspondendo a uma contração real de 2,3%.

No ano passado, a maior taxa de crescimento ficou com o setor Administração Pública, Defesa e Seguridade Social (37,2%), que também se destacou em 2012 e 2013.

Esse aumento é em parte justificado, conforme o BC, pela necessidade da realização de grandes obras de infraestrutura, em especial, no estado do Rio de Janeiro, que sediará os Jogos Olímpicos em 2016.

Quando mapeou o nível de calote, o Banco Central detectou que o Comércio é o setor com maior inadimplência relativa em 2014, com um índice de 3,5%. 

Na faixa intermediária, os setores de Indústrias de Transformação e de Transporte, Armazenagem e Correio, teve taxa de inadimplência relativamente menor, em torno de 1,7%, enquanto os setores de Agricultura, Pecuária, Produção Florestal, Pesca e Aquicultura, de Construção e de Outros Serviços têm inadimplência flutuando em torno de 2,4%.

Na menor faixa de inadimplência, encontram-se os setores de Administração Pública, Defesa e Seguridade Social, de Serviços Industriais de Utilidade Pública (SIUP); de Indústrias Extrativas e o de Pessoas Jurídicas com Sede no Exterior ou com Atividades não Classificadas. Em 2014, de acordo com o relatório, a inadimplência cresceu na maioria dos setores, com aumento total de 0,1 ponto.

COMÉRCIO VAREJISTA DETÉM 47,4% DO CRÉDITO TOTAL DO SETOR

Ao abrir os dados do setor de Indústrias de Transformação, o BC observa que a Fabricação de Produtos Alimentícios ocupa o primeiro lugar em termos de saldo de crédito, respondendo por 20,7% do saldo do setor e por 5,8% do total concedido a pessoas jurídicas, seguida pela Fabricação de Coque, de Produtos Derivados do Petróleo e de Biocombustíveis, com 16,2% do total do setor, e Metalurgia, com 9,4%.

De 2011 a 2014, o comércio Varejista respondeu, em média, por 47,4% do saldo de crédito do setor de Comércio, mas com inadimplência em nível maior do que os das demais divisões do setor. 

As demais divisões, de comércio por Atacado, exceto Veículos Automotores e Motocicletas e de Comércio e Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas responderam respectivamente por 37,7% e 14,9% desse valor, com participações estáveis no período, segundo o Relatório.

 

FOTO: Thinkstock

 

 

 

 





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