Economia

ACSP pelo retorno do Touro de Ouro da B3


Para a entidade, a presença da escultura beneficiava o comércio do Centro de São Paulo, que ainda sofre com os efeitos da pandemia


  Por Redação DC 24 de Novembro de 2021 às 14:46

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Desde que foi instalado na rua XV de Novembro, no Centro de São Paulo, o Touro de Ouro da B3 levou centenas de curiosos ao local. Evitada por alguns e ainda desconhecida para outros, a região do centro histórico foi duramente impactada pelos efeitos da pandemia.

Com a ausência de consumidores e dos funcionários que circulavam pelo local, muitos comércios fecharam as portas ou deixaram o endereço em busca de fluxo maior de clientes. Nesse sentido, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) reconhece que o pequeno varejo instalado nos arredores da B3 ainda não retomou a força que o sustentava no pré-pandemia e ainda vê suas ruas e avenidas pouco movimentadas.

Por meio de seu Conselho de Política Urbana (CPU), a ACSP participou, na última terça-feira (23/11), do julgamento que culminou na retirada da peça. 

Reforçando o mesmo discurso dos lojistas da região e representantes da Galeria do Rock, a ACSP fez um contraponto às críticas da instalação, citando que a escultura tem ajudado a atrair público e dinamizar o Centro num momento importante.

Embora reconheça as falhas nos trâmites de aprovação, a arquiteta Beatriz Messeder, coordenadora técnica do CPU, defende que a presença de esculturas no Centro promove um incremento na circulação de pessoas e que o aumento desse fluxo contribui para a geração de emprego e renda, elementos fundamentais para a dinâmica da região no período pós-pandemia.

A arquiteta destaca que ainda é difícil mensurar os impactos da pandemia nos negócios da região e que a falta de incentivos, bem como a ausência de elementos lúdicos, gratuitos e de exposição atrasam ainda mais a redinamização e diversidade do Centro.

"Apesar das infrações cometidas, temos que tomar cuidado para que esse tipo de debate não inviabilize outras intervenções na cidade, especialmente, no Centro", diz Beatriz.

ENTENDA O QUE ACONTECEU

No último dia 15, a B3, a Bolsa de Valores brasileira, inaugurou em frente de sua sede, na área central da capital paulista, uma réplica da escultura conhecida como Touro de Wall Street.

Chamada de Charging Bull, que em português significa touro em investida ou touro que ataca, a peça original em bronze se tornou uma atração turística em Nova York, por carregar a fama de trazer prosperidade financeira a quem a toca. No jargão do mercado acionário, o touro representa os momentos de alta da Bolsa.

Já no Brasil, o Touro de Ouro, nome dado à peça instalada em São Paulo, a inauguração veio acompanhada de uma campanha publicitária. Na ocasião, a B3 declarou que a escultura, mais do que um símbolo do mercado, representava as características da população brasileira.

Além disso, Gilson Finkelsztain, presidente da B3, afirmou em nota que uma das motivações para o projeto era a de contribuir com a recuperação do Centro de São Paulo e fortalecer a ideia de que o país tem força para avançar na retomada econômica.

“A B3 está trazendo esse novo símbolo para valorizar não apenas o centro de São Paulo, mas o desenvolvimento do mercado de capitais do Brasil”, dizia a nota.

A retirada da obra de arte do local, na noite da última terça (23), ocorreu após a Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU), órgão da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL), decidir multar a empresa responsável pela obra por falta de licença urbanística do órgão.

O órgão considerou irregular a instalação do Touro de Ouro na calçada da sede da B3, justificando que a CPPU não deu aprovação prévia à presença da obra na paisagem pública. Sem essa autorização, a instalação violou a Lei Cidade Limpa (nº 14.223/2006).

Agora, caberá à Subprefeitura da Sé, responsável pela região, determinar sanções à violação da lei, como o valor da multa a ser paga. 

 

FOTO: Divulgação B3






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