Economia

Ações para infraestrutura e exportação reacendem a economia


Para Simão Davi Silber, professor sênior da FEA/USP, qualquer nova medida do governo para enfrentar a crise pode ter algum efeito somente a partir de 2017


  Por Fátima Fernandes 10 de Maio de 2016 às 09:20

  | Editora ffernandes@dcomercio.com.br


Não se pode esperar muito de uma economia com pouco mais de 11 milhões de desempregados, uma inflação ao redor de 7% ao ano, taxas de juros na casa de dois dígitos e um dos índices de confiança mais baixos da história.

Mas..um programa de concessões na área de infraestrutura, abrangendo os setores de transporte, energia, aeroportos e ferrovias pode reacender o interesse do setor privado.

Com o mercado interno enfraquecido, programas do governo para fortalecer as exportações também podem dar novo gás às indústrias.

Medidas focadas em investimentos e comércio externo podem, portanto, devolver a credibilidade e a confiança que o país precisa para fazer a economia voltar a crescer.

SILBER: ANO PERDIDO

 

A análise é do economista Simão Davi Silber, professor sênior da FEA/USP e doutor em economia pela Universidade de Yale, nos Estados Unidos.

Essas medidas macroeconômicas, a seu ver, teriam algum impacto na micro economia a partir do ano que vem. “Investimento em infraestrutura gera emprego e aumenta a renda, com consequente aumento de consumo”, diz ele.

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Neste ano, de acordo com Silber, nem investimentos em infraestrutura nem exportações poderão ter algum impacto imediato na economia.

O PIB brasileiro deve cair 4% e a inflação deve bater em 7% no final do ano, de acordo com suas projeções.

Medidas capazes de estimular investimentos em infraestrutura e aumento do comércio exterior poderiam ter algum efeito, e modesto, em 2017, levando o PIB (Produto Interno Bruto) a um crescimento de 1%, de acordo com ele.

“Se as empresas tiverem um pouco mais confiança, vão contratar funcionários, mesmo que por um período temporário. O que a gente não pode é ficar com um corpo sem cabeça”, diz.

Para Silber, um dos maiores problemas do Brasil hoje é a ausência de diretrizes, já que o país vive um período “com um governo meio acabado e com outro para entrar.”

As contas públicas estão totalmente desorganizadas, o país vai fechar o ano com déficit primário muito elevado (R$ 111,2 bilhões, em 2015), com dívida explosiva. “Essa é a fotografia de curto prazo”, diz Silber.

A queda da produção brasileira é da ordem de 10% do PIB, o que resulta em perda de R$ 600 bilhões em produção, de acordo com a sua projeção.

“Se o país não escapar disso, vamos ter uma década perdida”, diz.

CLASSE C

As conquistas da classe C dos últimos anos já se perderam. “Quem mais sofreu com a inflação foi o pessoal de baixa renda, com desemprego e inflação em alta. "Perdeu em dois anos o que havia ganho em dez”, diz.

Enquanto as medidas para estimular a economia não chegam, resta aos empresários, de acordo com Silber, cortar custos e abusar da criatividade para vender.

“Se o cliente sumiu, não dá para laçá-lo no meio da rua. O que o empresário pode fazer é reduzir ao mínimo possível o custo de sua atividade e, em segundo lugar, usar de engenhosidade gigantesca para atrair o consumidor, como convidá-lo para um happy hour ou fazer promoções por uma hora.”

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Foto: Divulgação

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