Economia

A primeira semana de Trump como presidente dos EUA


Quem não acreditava que ele colocaria em prática as polêmicas promessas de campanha, se enganou


  Por Agência Brasil 27 de Janeiro de 2017 às 20:27

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


Em sete dias como presidente dos Estados Unidos, Donald Trump começou a colocar em prática algumas das principais promessas de campanha. 

Após falar que vai colocar a “América em primeiro lugar”, ele assinou decretos protecionistas, brigou com jornalistas e começou a planejar como será construído o muro para separar os EUA do México. 

Saiba como foi a primeira semana de Trump como presidente dos EUA:

DISCUSSÕES COM JORNALISTAS

Assim como ocorreu durante a campanha, a relação entre Trump e a imprensa continuou conturbada nos primeiros de governo. 

Após jornais norte-americanos apontarem que havia menos pessoas presentes em sua posse do que nas duas posses de Barack Obama (em 2009 e 2013), Trump acusou jornalistas de serem desonestos. 

Segundo Trump, os jornalistas estão "entre os seres humanos mais desonestos na terra".

ENFRAQUECIMENTO DO OBAMACARE 

Nas primeiras horas à frente da Casa Branca, Trump assinou uma ordem executiva que enfraquece o Obamacare, o programa de saúde dos EUA aprovado durante o governo de seu antecessor, Barack Obama.

O programa  tinha o objetivo de estender atendimento médico para toda população americana. 

Na segunda-feira (23/01), o Senado norte-americano já começava a discutir uma proposta para substituir o Obamacare. 

De acordo com os autores, o novo plano prevê que os estados, e não o governo federal, devam cuidar das políticas de saúde.

CONTRA O ABORTO 

O novo presidente americano, também no dia 23/01, assinou um decreto que proíbe financiamento do governo federal para organizações não-governamentais estrangeiras que promovam ou custeiem a realização de abortos.

O decreto deverá ter o apoio de setores religiosos que lutam contra o aborto no país. 

Porém, vai contra o que defende um segmento da Marcha das Mulheres, que desfilou pelas ruas de Washington em protesto contra as políticas anunciadas por Donald Trump.

O MURO 

Na quarta-feira (25/01), o presidente transformou em realidade uma das mais polêmicas promessas de sua campanha eleitoral: a construção do muro na fronteira sul do país. 

O muro será erguido de forma prioritária nos locais que fazem fronteira com cidades mexicanas. Após a assinatura do decreto, Trump reafirmou que o México vai, de alguma forma, pagar pelo muro.

A primeira consequência da medida foi o cancelamento da reunião que o presidente dos EUA teria com o presidente mexicano Enrique Peña Nieto. 

"Esta manhã informamos à Casa Branca que eu não vou assistir à reunião marcada para a próxima terça-feira [31 de janeiro] com o presidente dos Estados Unidos", escreveu Peña Nieto no Twitter.

No mesmo dia, o secretário de imprensa da Casa Branca chegou a anunciar que uma alternativa para financiar a construção do muro seria aplicar um imposto de 20% sobre todas as importações do México direcionadas para o mercado americano.

REPRESSÃO ÀS CIDADES-SANTUÁRIO 

Outra medida de Trump contra a imigração foi a ordem executiva para bloquear fundos federais para as chamadas "cidades-santuário", que protegem imigrantes sem documentação. 

Os fundos federais serão abolidos para cidades que se recusem a fornecer informações às autoridades federais sobre o status de imigração de pessoas detidas nessas localidades. 

Entre elas estão Chicago, Nova York e Los Angeles.

SAÍDA DO TRANSPACÍFICO

Na economia, a medida mais impactante de Trump foi o decreto assinado no dia 23/01 que cancelou a participação dos Estados Unidos do Tratado Transpacífico de Comércio Livre (TPP, sigla em inglês), o mais importante acordo internacional assinado pelo ex-presidente Barack Obama.

Os países signatários são: Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Cingapura, Estados Unidos e Vietnã. 

Com a medida, Trump começou a reconfigurar o papel dos Estados Unidos na economia global. Em vez de acordos multilaterais, Trump deve investir em acordos bilaterais com cláusulas de rescisão.

OLEODUTOS

Em termos ambientais, a medida mais contestada da primeira semana do governo Trump foi a aprovação do projeto de construção de dois polêmicos oleodutos, que tinha sido bloqueada pelo governo de Barack Obama ante a forte pressão de grupos ambientalistas. 

Um deles é o oleoduto Keystone XL, que transportará petróleo do Canadá até as refinarias nos Estados Unidos; o outro atravessará um território indígena em Dakota do Norte.

ACORCO COM O REINO UNIDO

Donald Trump se reuniu com a primeira-ministra britânica, Theresa May, no primeiro compromisso internacional do norte-americano na Casa Branca. 

Em entrevista coletiva após o encontro, Theresa e Trump afirmaram que pretendem ampliar a cooperação econômica e militar entre os dois países, inclusive com a possibilidade de um acordo de comércio bilateral.

Segundo Theresa May, os dois líderes conversaram também sobre medidas práticas para combater o Estado Islâmico. 
Segundo ela, Trump disse estar “100% comprometido” com o Tratado do Atlântico Norte (Otan), apesar de ter o criticado anteriormente durante sua campanha eleitoral e manifestado intenção de revê-lo.

A imprensa europeia e norte-americana já comparam a relação de Theresa May e Donald Trump à da primeira-ministra Margaret Thatcher e do presidente republicano Ronald Reagan, na década de 1980.

IMAGEM: Gage Skidmore/CreativeCommons