Economia

"A percepção é de que o Brasil está na direção certa", diz Ilan


Após dois dias de debate sobre os grandes temas econômicos com as 20 maiores potências do mundo, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, deixa sua primeira reunião do G-20 com um discurso otimista


  Por Estadão Conteúdo 24 de Julho de 2016 às 10:28

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O novo titular do BC reconhece que os problemas domésticos pesam mais que questões externas para a economia brasileira. Também afirma que o ajuste começou a ser feito e isso foi bem recebido na China.

Sobre o quadro internacional, Goldfajn diz que houve piora após o Brexit, mas avalia que o quadro não parece "totalmente ruim" para os emergentes.

"Eu diria que há uma percepção de que o Brasil está na direção certa e o clima está começando a mudar. Quando nós apresentamos indicadores, a reação que a gente obtém é positiva", disse Goldfajn após o último dia do encontro no interior da China.

"O Brasil apresentou as iniciativas em curso para ajustar a economia e ressaltou os sinais positivos tantos dos indicadores econômicos, quanto da percepção de melhora à frente. A apresentação foi bem recebida".

Apesar de o ajuste ter começado, Goldfajn reconhece que, para a economia brasileira, as questões internas ainda se sobrepõem às dificuldades globais.

Além de voltar para Brasília com a boa recepção às iniciativas do governo, Ilan também avalia de forma relativamente positiva o quadro externo.

O presidente do BC reconhece que o cenário piorou após o plebiscito que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia. "A percepção é que o crescimento no mundo poderia estar se revigorando, mas a decisão do Brexit trouxe novas incertezas", disse.

Apesar disso, Goldfajn diz que "o cenário global no curto prazo para os emergentes não é totalmente ruim".

O argumento é que a desaceleração gerada pelo Brexit "não será muito forte, talvez apenas marginal".

Além disso, várias autoridades monetárias já sinalizaram que podem tomar novas medidas para apoiar a economia, o que deve aumentar a oferta de dinheiro barato.

"Esse é um cenário que torna a liquidez maior no mundo", resumiu o presidente do BC. "Isso já tem acontecido, mas não necessariamente vai se perpetuar. Se a economia global estiver crescendo forte, eventualmente esse período de liquidez excessiva termina".

CRESCIMENTO

Goldfajn, destacou neste domingo (24/07) que há consenso no grupo das 20 maiores economias do mundo de que as políticas para o crescimento devem ser compostas por uma "tríade formada por política monetária, política fiscal e reformas estruturais".

Usando discurso parecido com o feito pelo presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, Ilan Goldfajn notou que a política monetária "não pode fazer todo o trabalho".

"É consenso que o esforço para a recuperação do crescimento passa pela tríade necessariamente formada pela política monetária, política fiscal e reformas estruturais", disse em entrevista no fim do encontro financeiro de dois dias na China.

Após forte ação das políticas monetárias em vários países do mundo e sem espaço para política fiscal na maioria das economias, o G-20 defende fortemente que nações devem adotar reformas estruturais para terem crescimento sustentável.

Ao ser questionado sobre as afirmações do ministro chinês de Finanças, Lou Jiwei, de que diminuiu a eficácia dos remédios tradicionais usados contra a crise como corte de juro, Goldfajn explicou que há receio sobre a potência da política monetária porque muitos países desenvolvidos têm juros em um piso histórico, muito perto de zero ou até negativo.

"Mas o Brexit mostrou que ainda há espaço porque os bancos centrais atuaram e houve efeito", disse.

Mesmo com esse espaço observado pós-Brexit, Goldfajn defende a tríade monetária, fiscal e de reformas. "A política monetária não pode fazer todo o trabalho. Por isso, o esforço coordenado de política monetária, fiscal e reformas estruturais para alavancar o crescimento", disse.

Ao ser questionado se a tríade também se aplicava ao Brasil, o presidente do BC disse que não poderia falar por estar em período de silêncio gerado pela divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom).