Economia

A chance de Temer dar certo é de 60%, prevê Roberto Macedo


Economista (esq.) fez palestra nesta terça na ACSP. Ele calcula que é de 40% a chance de o presidente desapontar a economia. E diz que hoje é nula a possibilidade de Dilma voltar


  Por Redação DC 31 de Maio de 2016 às 14:00

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


A chance de o presidente interino Michel Temer ser bem-sucedido ao tranquilizar a economia e sinalizar a diminuição do déficit fiscal é de 60%. É bem menor, de 40%, a possibilidade de ele fracassar. Quanto ao retorno de Dilma Rousseff, depois da última votação do impeachment no Senado, a chance seria hoje de zero.

É a opinião do economista Roberto Macedo, coordenador do Conselho de Economia da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), em palestra, nesta terça-feira (31/05), sob o tema “Temer e a economia: como fica?”.

Ele fez um levantamento de todas as projeções que estão sendo usadas no mercado e afirmou que são elevadas as possibilidades de o PIB experimentar um crescimento modesto em 2017.

Os economistas do Itaú Unibanco, por exemplo, operavam com uma porcentagem negativa para um terceiro ano consecutivo. Mas agora acreditam que o PIB vai crescer 1%.

Isso tornaria menos sombria a posição que o Brasil hoje ocupa nas comparações internacionais. A atual recessão, por exemplo, situa o país apenas acima de economias como a da Ucrânia (que está em guerra) ou da Venezuela (que entrou em colapso).

Em termos setoriais, estão na contramão do atual quadro recessivo o agronegócio, papel e celulose, perfumaria, cuidados pessoais e produtos químicos para uso doméstico.

A Agricultura deve crescer este ano 1,5%, segundo estimativa da Tendências Consultoria que Roberto Macedo citou. Mas o resultado será bem melhor no Sudeste (3,9%) ou no Norte e Nordeste, regiões em que as políticas sociais têm maior peso.

Quanto ao comércio com a China, prevalece a queda em dólares nas exportações de minério de ferro (a tonelada passou de US$ 200 a US$ 56), mas com cifras melhores nas vendas de soja.

Isso se explica, diz Macedo, em razão do movimento de migração chinesa do campo para a cidade. São de 15 a 20 milhões de pessoas por ano. Os recém-urbanizados deixam de se nutrir com os alimentos que produzem e passam a compra-los em áreas urbanas.

O economista diz acreditar que a confiança gerada pela posse de Michel Temer tende a acelerar a tendência pela qual o Brasil, depois de um ciclo de baixa, tende lentamente a voltar a crescer.

Um dos indícios está na indústria, altamente afetada pela recessão, mas na qual o índice de confiança dos empresários está subindo, segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria) e o Bradesco, este último sinalizando 2,7 pontos.

Isso ocorre agora de modo mais acentuado em razão do final do período de irresponsabilidade fiscal representado pelo governo anterior. Além das “pedaladas”, a dívida pública representa hoje 66% do PIB e, caso nada fosse feito, chegaria a 83% em 2018.