Economia

A caminho da retomada, PIB avança 0,1% no terceiro trimestre


O crescimento de 1,4% ante o terceiro trimestre de 2016 e de 0,1% em relação ao segundo deste ano, de acordo com o IBGE, sustenta a trajetória de expansão


  Por Estadão Conteúdo 01 de Dezembro de 2017 às 09:19

  | Agência de notícias do Grupo Estado


O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,1% no terceiro trimestre em relação ao segundo trimestre deste ano, informou nesta sexta-feira (1/12), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda segundo o instituto, o PIB do terceiro trimestre do ano totalizou R$ 1,641  trilhão.
 
O crescimento de 1,4% ante o terceiro trimestre de 2016 e de 0,1% em relação ao segundo deste ano, sustenta a trajetória de expansão da atividade econômica.
 
Na avaliação dos analistas consultados pelo Estadão/Broadcast antes da divulgação do resultado, embora ainda haja dissenso quanto ao ritmo, é unânime a percepção de que a retomada está em vigor e os números estimados corroboram essa ideia.
 
No primeiro trimestre de 2016, o PIB, conforme cálculos originais, cedeu 0,8% e caiu 2,9% em igual período do ano anterior.
 
Porém, esses resultados podem sofrer alteração como normalmente faz o IBGE nos dados do terceiro trimestre. Recentemente, houve atualização nos dados de 2015.
 
A economia brasileira prosseguiu em retomada, segundo retratam as expectativas para o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre.
 
Conforme quase todas as estimativas da pesquisa realizada pelo Estadão/Broadcast, o PIB do período pode registrar o terceiro crescimento consecutivo ante o trimestre anterior e subir pela segunda vez seguida na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.
 
Contudo, há economistas que não descartam a possibilidade de um número negativo, mas ponderam que se isso acontecer não mudará a trajetória de retomada.
 
O intervalo de 50 previsões dessazonalizadas para o PIB do período de julho a setembro em relação ao anterior foi de estabilidade a avanço de 0,86%, com mediana de alta de 0,20% - igual ao dado do segundo trimestre na margem.
 
No confronto com o terceiro trimestre do ano passado, sem ajuste sazonal, as expectativas eram de expansão de 0,70% a 1,85%. A mediana era de 1,25%.
 
No segundo trimestre o PIB subiu 0,3% ante igual período de 2016. 
 
O crescimento do PIB pelo terceiro trimestre consecutivo confirmaria a recuperação, mesmo que lenta e gradual da economia, avalia a Rosenberg Associados.
 
A consultoria ressalta que a revisão recente nos números de 2015 tende a afetar toda a série histórica do PIB, assim como as perspectivas.
 
A Rosenberg projetou alta de 0,20% para o PIB do terceiro trimestre na margem e expansão de 1,20% na comparação interanual.
 
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A principal novidade do lado da demanda devem ser os investimentos, que devem interromper uma série de quatro trimestres seguidos de queda.
 
"Esperamos crescimento. Se confirmado, será um boa notícia, mas ainda não irá apagará todas as perdas", pondera o economista Bruno Levy, da Tendências Consultoria Integrada, ao citar sua projeção de 0,7% para Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF).
 
Já sob a ótica da oferta, a indústria e os serviços devem sobressair. E, na ponta oposta, a agropecuária deve mostrar declínio. "O setor de serviços deve ser puxado pelo comércio, basicamente.
 
O PIB Industrial tende a subir motivado pela melhora nas encomendas e nos estoques", avalia o economista da Caixa Asset Management, Rodrigo Soares de Abreu. No segundo trimestre o PIB da indústria teve alta de 0,6% e o de serviços cedeu 0,5%.
 
Além de melhora dos investimentos, na parte da demanda, os analistas esperavam que o consumo das famílias tenha ajudado na retomada econômica do terceiro trimestre, mas talvez de forma menos expressiva que no segundo trimestre, quando contou com estímulos como os recursos das contas inativas do FGTS.
 
No período, o consumo das famílias teve alta de 1,4% em relação ao anterior e cresceu 0,7% na comparação interanual.
 
O Bradesco esperava expansão de 0,2% para o PIB do segundo trimestre, "puxado novamente pela boa dinâmica do consumo das famílias", avalia em nota. A projeção do banco para o consumo das famílias é de aumento de quase 1% na margem.
 
Com peso de cerca de 60% na composição do PIB, a Tendências estimou alta de 0,8% para o consumo das famílias. Segundo o economista da consultoria, as famílias já estão em um processo de menos endividamento em relação às empresas, refletindo a inflação e o juro baixos, a melhora do crédito e do emprego.
 
Já a Caixa Asset Management previu declínio de 0,8% no consumo das famílias, em razão do fim dos efeitos do FGTS. "Mas não se trata de uma reversão, mas sim de um ajuste pontual. Esperamos que o consumo volte a rodar no terreno positivo no quarto trimestre", pondera Soares de Abreu.
 
A Votorantim Corretora aguardava estabilidade para o PIB do período. Segundo o economista Carlos Lopes, a possibilidade de um número negativo não pode ser descartada.
 
Ele explica que a atividade do setor de serviços e da indústria extrativa ainda estão com fraco desempenho, o que pode inibir um resultado mais forte do PIB no período.
 
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Segundo o economista da Caixa Asset, o PIB da agropecuária deve ceder com a redução da expectativa de safra do IBGE para o fim do ano.
 
Na Tendências Consultoria, Bruno Levy estima recuo de 2% para o PIB do segmento no terceiro trimestre ante a estabilidade anteriormente.
 
Já a MCM Consultoria aguarda declínio mais intenso, de 5,5% na margem e de 6,5% na comparação com o terceiro trimestre de 2016, "em virtude das piores perspectivas para a produção agrícola."